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Justiça de São Paulo aceita pedido de recuperação extrajudicial da Raízen

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Decisão suspende cobranças e execuções contra a Raízen por 180 dias e abre prazo para negociação com credores.

A Justiça de São Paulo deferiu nesta quinta-feira, 12, o pedido de recuperação extrajudicial da Raízen, maior grupo sucroenergético do Brasil, abrindo caminho para a reestruturação de aproximadamente R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras da companhia.

A empresa havia protocolado o pedido na quarta-feira, 11, na Comarca da Capital de São Paulo, com o objetivo de criar um ambiente jurídico mais estável para conduzir negociações com credores e reorganizar sua estrutura financeira.

Na decisão, o juiz Guilherme Lamêgo, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, conforme divulgado pelo Globo, no blog de Lauro Jardim, determinou a suspensão por 180 dias de ações de cobrança, execuções, penhoras e demais medidas contra a companhia relacionadas aos créditos abrangidos pelo processo. Durante esse período, também fica suspensa a exigibilidade de principal, juros e demais encargos sobre essas obrigações.

Segundo comunicado da Raízen ao mercado, o processo de recuperação extrajudicial foi estruturado de forma consensual com os principais credores financeiros, que já assinaram o Plano de Recuperação Extrajudicial. Na data do protocolo, a companhia informou que já contava com a adesão de credores que representam mais de 47% das dívidas financeiras incluídas no plano, percentual suficiente para o ajuizamento do pedido e que indica apoio relevante ao processo de reestruturação.

De acordo com a legislação aplicável, a empresa terá agora 90 dias para alcançar o quórum necessário à homologação do plano, o que permitirá estender as novas condições de pagamento a todos os credores envolvidos.

Plano pode incluir capitalização e venda de ativos

Segundo a companhia, o plano de recuperação extrajudicial poderá envolver diferentes medidas de reorganização financeira. Entre as alternativas em avaliação estão a capitalização da empresa por seus acionistas, a conversão de parte das dívidas em participação acionária, a substituição de créditos por novas dívidas e eventuais reorganizações societárias destinadas à segregação de determinados negócios do grupo.

O plano também prevê a possibilidade de venda de ativos como parte das iniciativas destinadas a reequilibrar a estrutura financeira da companhia.

Essas alternativas já haviam sido mencionadas pela Raízen em fato relevante divulgado em 4 de março de 2026, quando a empresa informou que avaliava diferentes caminhos para a reestruturação de suas obrigações financeiras.

Recuperação não afeta fornecedores

A Raízen destacou que o escopo da recuperação extrajudicial é estritamente financeiro, voltado apenas à renegociação das dívidas incluídas no plano.

Segundo a empresa, obrigações com clientes, fornecedores, revendedores e demais parceiros comerciais não serão afetadas, e continuarão sendo cumpridas normalmente conforme os contratos vigentes.

Em comunicado ao mercado, a companhia afirmou ainda que as operações do grupo seguem normalmente, tanto no atendimento a clientes quanto na relação com fornecedores e na execução de seus planos de negócios.

Natália Cherubin com informações do O Globo

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