Os preços internacionais do açúcar voltaram a registrar queda, pressionados pelo aumento da produção na Índia e pela perspectiva de um cenário mais confortável do lado da oferta global. O movimento reflete revisões positivas nas estimativas de produção indiana e a sinalização de maior disponibilidade do produto no mercado internacional ao longo da safra 2025/26.
O contrato de açúcar bruto com vencimento em março fechou em queda de 0,11 centavo de dólar, ou 0,75%, indo a 14,57 centavos de dólar por libra-peso. Já o contrato de açúcar branco para março teve retração de US$ 2,70, ou 0,64%, indo a US$ 418,20 por tonelada.
De acordo com a India Sugar Mill Association (ISMA), a produção de açúcar da Índia na safra 2025/26 foi estimada em 31 milhões de toneladas, volume significativamente superior ao registrado no ciclo anterior. O crescimento é atribuído ao melhor desempenho da moagem de cana, maior rendimento agrícola e condições climáticas mais favoráveis em importantes regiões produtoras do país.
Além do aumento na produção, a ISMA também revisou para baixo a quantidade de açúcar destinada à fabricação de etanol, o que amplia o volume disponível para o mercado interno e potencialmente para exportação. Esse ajuste reforça a expectativa de maior oferta global da commodity.
Exportações e impacto nos preços
O governo indiano autorizou a exportação de até 1,5 milhão de toneladas de açúcar na safra 2025/26, após um período de restrições adotadas nos últimos anos para garantir o abastecimento doméstico. A liberação ocorre em um momento em que o mercado já acompanha sinais de recuperação da produção em outros grandes países produtores.
Com esse cenário, os contratos futuros do açúcar passaram a refletir um ambiente mais pressionado, diante da percepção de que o mercado caminha para um ciclo de maior disponibilidade do produto. A expectativa de superávit global reduz a sustentação das cotações, especialmente no curto prazo.
Oferta global mais folgada
O avanço da produção indiana se soma a projeções mais elevadas em outros polos relevantes, contribuindo para a construção de um cenário global mais equilibrado após períodos de restrição de oferta. A combinação entre maior produção, menor direcionamento para etanol em alguns mercados e liberação gradual das exportações reforça o viés de baixa observado nas cotações internacionais.
Apesar disso, o mercado segue atento a fatores como clima, ritmo das exportações e comportamento da demanda global, que continuam sendo determinantes para a formação dos preços ao longo da temporada.
Com informações da Barchart