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Queda do preço do etanol foi compensada por valor dos CBios

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Os preços do etanol hidratado recebidos pelas usinas vem caindo nos últimos dias. Um dos motivos foi a queda do ICMS e a isenção do Pis/Cofins sobre os combustíveis, que já vem sendo implementado na maioria dos estados brasileiros. No entanto, enquanto a PEC dos Biocombustíveis não sai,  o preço de venda dos Cbios (Créditos de Descarbonização), que ultrapassaram R$200 na última quinzena de junho, pode compensar a perda de receita por parte das usinas.

O etanol hidratado que chega às distribuidoras já caiu 4,5%, segundo o indicador do Cepea/Esalq, alcançando R$ 2.974,50 o metro cúbico nesta quinta-feira. O preço do hidratado pago às usinas paulistas, líquido de impostos, caiu 3,3% na última semana, a R$ 2,9634 o litro.

Desde o início do ano, o etanol hidratado recebido pelas usinas de São Paulo recuaram R$ 0,39 o litro. De acordo com cálculos da consultoria StoneX, em compensação, o CBio a R$ 200 já oferece um “prêmio” equivalente a R$ 0,24 o litro – ou R$ 0,18 o litro mais alto do que no início do ano.

Sendo assim, os CBios já compensaram 46% da queda do preço do hidratado para as usinas este ano, representando 8% da remuneração final das usinas. Só para se ter uma ideia, a média dos preços em 2021 foi R$ 39. Traduzindo em “prêmio” sobre o etanol, esse preço equivaleu a menos de R$ 0,05 por litro, perto de 1% do preço na época.

Mesmo com a questão dos CBios favorecendo a remuneração das usinas, a queda no preço do etanol tem levado muitas empresas a repensar sua estratégia de produção e venda do biocombustível. A Usina Alta Mogiana, de acordo com Luiz
Gustavo Junqueira Figueiredo, diretor comercial para o Valor Econômico, a decisão é segurar as vendas do hidratado e focar no cumprimento de contratos de entrega de etanol anidro (aditivo à gasolina).

A São Martinho, em teleconferência com analistas também sinalizou que seguraria as vendas do hidratado até o início do próximo ano, quando a redução tributária expirar e o Centro-Sul estiver em entressafra. Para a Jalles Machado, que tem uma limitação física, é necessária a venda de 10 milhões a 15 milhões de litros nesta safra, segundo afirmou Rodrigo Siqueira, diretor financeiro da companhia, na última teleconferência da empresa.

Preços do Cbios

Ligia Heise, analista da StoneX, disse ao Valor que as distribuidoras já compraram 60% dos papéis que precisam comprar neste ano, o que pode indicar uma “redução do viés” de alta neste semestre. No entanto, acredita que os patamares altos vieram pra ficar.  Para Boris Gancev, responsável pela mesa de derivativos de commodities e CBios do Santander,  o CBio tende a ficar ainda mais caro no próximo ano. “A expectativa é de oferta e demanda mais apertada do que neste ano”, disse em entrevista ao Valor.

Com informações do Valor Econômico

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