Home Destaque Raízen avalia recuperação extrajudicial em meio a plano de capitalização de R$ 4 bilhões
DestaqueÚltimas Notícias

Raízen avalia recuperação extrajudicial em meio a plano de capitalização de R$ 4 bilhões

Compartilhar

Companhia discute aporte liderado pela Shell e reestruturação da dívida enquanto negociações entre acionistas sobre reforço de capital enfrentam impasse

A Raízen informou ao mercado nesta quarta-feira (4) que avalia a implementação de uma solução abrangente para fortalecer sua estrutura de capital, que poderá incluir a condução de negociações com credores em ambiente protegido e a eventual adoção de uma recuperação extrajudicial. A proposta em discussão prevê, entre outras medidas, um aporte de R$ 4 bilhões e a reestruturação do endividamento financeiro da companhia, com possibilidade de conversão de parte da dívida em capital e alongamento do saldo remanescente, conforme fato relevante divulgado pela empresa.

De acordo com o comunicado, assinado  por Lorival Nogueira Luz Junior, CFO e Diretor de Relações com Investidores da Raízen, a proposta atualmente em análise contempla uma contribuição de capital de R$ 4 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões aportados pelo Grupo Shell e R$ 500 milhões por um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos S.A., da família do empresário Rubens Ometto Silveira de Mello, acionista controlador da Cosan.

Além da capitalização, a companhia avalia uma reestruturação do atual endividamento financeiro, que poderá incluir a conversão de parte da dívida em capital, combinada com o alongamento do saldo remanescente da dívida. O plano também prevê a continuidade do processo de simplificação dos negócios da companhia, com avaliação e venda de ativos considerados não estratégicos, medida que já vinha sendo comunicada anteriormente ao mercado.

Segundo a Raízen, a adoção dessas medidas busca assegurar um ambiente protegido e ordenado para a condução de discussões com credores financeiros, com o objetivo de alcançar uma solução consensual para o fortalecimento da estrutura financeira da empresa, que poderá ser eventualmente implementada por meio de recuperação extrajudicial, caso necessário.

A companhia ressaltou ainda que continuará operando normalmente e afirmou que as medidas em avaliação não devem impactar clientes, fornecedores, revendedores e demais parceiros de negócios, considerados essenciais para suas operações.

Impasse entre Shell e Cosan

O comunicado ocorre em meio às negociações entre os acionistas controladores sobre um plano de reforço de capital da companhia. Segundo informações divulgadas pela Reuters, as conversas entre Shell e Cosan, que possuem 44% cada da Raízen, se estenderam por meses, mas foram interrompidas nesta semana.

De acordo com fontes ouvidas pela agência, a Shell estaria disposta a investir R$ 3,5 bilhões, enquanto a Cosan indicou que poderia contribuir com R$ 1,5 bilhão, incluindo R$ 500 milhões do empresário Rubens Ometto.

Durante as negociações, a Cosan também teria proposto levantar R$ 6,3 bilhões junto a fundos ligados ao BTG Pactual, direcionando a maior parte dos recursos para a área de distribuição de combustíveis. A estrutura, no entanto, não teria sido aceita pela Shell.

Diante do impasse, a petroleira britânica teria iniciado conversas diretamente com bancos e credores para discutir um possível plano de resgate da companhia. Caso a Shell realize um aporte sem participação proporcional da Cosan, a participação da empresa brasileira na Raízen poderá ser diluída.

Pressão financeira

A Raízen vem enfrentando pressão financeira nos últimos trimestres. A dívida líquida da companhia alcançou R$ 55,3 bilhões ao final de dezembro, refletindo investimentos elevados, condições climáticas adversas e incêndios que afetaram a moagem de cana.

Em fevereiro, a empresa já havia alertado para “incerteza significativa” quanto à sua capacidade de continuar operando, o que intensificou as discussões entre acionistas e credores sobre alternativas de reforço de capital.

No campo operacional, a Raízen produziu cerca de 3,16 bilhões de litros de etanol em 2024, mantendo-se entre as maiores produtoras do biocombustível no mundo.

A companhia afirmou que seguirá mantendo seus acionistas e o mercado informados sobre quaisquer desenvolvimentos relevantes relacionados às discussões em curso.

Natália Cherubin para RPAnews

Compartilhar

Episódio 27: Como a tecnologia está transformando as fábricas de açúcar?

Episódio 25: Manejo de plantas daninhas em cana: por que começar antes faz toda a diferença?

Enviamos diariamente um boletim informativo com destaques do setor bioenergético 

Artigo Relacionado
Últimas Notícias

Captura e armazenamento de carbono pode criar nova fonte de receita para usinas de etanol, afirma Fundag

Presidente da fundação destaca potencial do CCS para transformar o CO₂ da...

DestaqueÚltimas Notícias

Pindorama projeta crescimento de até 10% na moagem e quase dobra produção de etanol de grãos na safra 2026/27

Cooperativa prevê avanço na safra 2026/27 impulsionado pelos investimentos no campo e...

Últimas Notícias

Etanol amplia vantagem frente à gasolina e garante economia de até R$ 80 por abastecimento

Competitividade do etanol atinge o maior patamar dos últimos oito anos, segundo...

Últimas NotíciasDestaque

Proteínas de bactérias podem aumentar em até 30% rendimento do etanol de segunda geração

Cooperação internacional de pesquisa pode solucionar gargalo de produção de biocombustíveis 2G...