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A atual safra de cana-de-açúcar do Centro-Sul tem mais um fator que deverá impactar ainda mais a produtividade: as geadas. Além do quadro de seca, o pior nos últimos 90 anos, a quantidade recorde de geadas que já atingiram a região e a previsão de mais uma forte frente fria, devem fazer com que a quebra de produtividade chegue a até 15%, levando a moagem para a casa das 530 milhões de toneladas.

Os dados são de um levantamento realizado pela Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) que revela que, esse cenário só irá se concretizar caso as geadas previstas para essa semana acontecerem.

De acordo com o Clima Tempo, a onda de frio que atinge o Centro-Sul será de forte intensidade e será uma das mais fortes desde 1955, quando algumas áreas do Sul e Sudeste registraram temperaturas negativas e até mesmo neve.

“Desta vez, uma forte massa de ar polar que se desprenderá da Antártida, hemisfério-sul, deverá atuar entre os dias 30 e 31 de julho e 1 e 2 de agosto com temperaturas congelantes no Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil”, afirma o Clima Tempo.

Nesse sentido, estimam-se temperaturas inferiores a -6ºC em cidades como Santa Maria, Bagé, Pelotas entre outras, e até mesmo -18ºC nas serras. Além disso, se nada mudar, o Estado de São Paulo também será acometido por temperaturas negativas:

  • Possibilidade de Neve em Campos do Jordão
  • Piracicaba e Região Metropolitana: – 3ºC
  • Campinas e Região Metropolitana: – 2ºC
  • Botucatu e Região: – 2ºC
  • Avaré, Sorocaba, Apiaí e regiões: de -4ºC  a -1 ºC
  • Ourinhos , Marilia, Prudente e Assis: de -2ºC a 1ºC
  • Araçatuba, Dracena, Bauru e Regiões: de 1ºC  a 2ºC
  • Rio Preto, Franca e Barretos: de 1 a 2ºC
  • Ribeirão Preto e Pirassununga e suas Regiões: 2 a 4ºC

Segundo Denis Arroyo Alves, diretor-executivo da Orplana, o Centro-Sul está saindo de uma previsão 605 milhões de toneladas e indo para aproximadamente 530 milhões.

“Temos visto que todo o setor está buscando aproveitar cada centímetro de terra com cana, fazendo uma colheita muito mais cuidadosa”, diz o diretor.

Segundo Arroyo, ainda é cedo para mensurar os impactos das geadas que acometeram os canaviais até o momento. Todavia, ele diz já ser possível ver que, de fato, houve sim um impacto.

“Precisamos de pelo menos uns 15 dias para verificar o dano que foi realmente causado, mas pelas imagens iniciais dos canaviais vemos que realmente tem um impacto ali”, explica.

O diretor da Orplana ainda ressalta que, com os acontecimentos, o planejamento de safra terá de ser repensado.

“Dependendo da intensidade da geada que o produtor da usina recebeu, você precisa tirar essa cana que teve morte de gema apical o quanto antes, porque ele apodrece e começa até a ter comprometimento da safra que vem”, alerta o executivo.

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