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Safra recorde não garante oferta de açúcar e reforça importância da gestão de risco

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Na safra 2024/2025, empresa transportou 6,2 milhões de toneladas da commodity no Corredor Sudeste.
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Mudanças no mix entre açúcar e etanol, custos financeiros e logística mostram que decisões comerciais vão muito além da cotação internacional, avalia Tria Trading

A expectativa de uma safra recorde de cana-de-açúcar no Brasil não elimina as incertezas sobre a oferta de açúcar ao mercado. Apesar da estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de produção de 709,1 milhões de toneladas de cana na safra 2026/27, fatores como a definição do mix entre açúcar e etanol, a qualidade da matéria-prima, o ritmo da moagem, a competitividade dos combustíveis e a capacidade industrial das usinas continuam influenciando diretamente a disponibilidade do produto.

Na avaliação da Tria Trading, empresa que atua nos mercados de açúcar, energia e crédito estruturado, esse cenário reforça a necessidade de uma gestão de risco integrada, capaz de acompanhar desde a produção até a entrega ao comprador final.

Os números da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) ilustram essa dinâmica. Na segunda quinzena de abril deste ano, 59,66% da cana processada no Centro-Sul foi destinada à produção de etanol, acima dos 54,31% registrados no mesmo período da safra anterior. Até 1º de junho, a moagem acumulada alcançava 144,71 milhões de toneladas, enquanto a produção de açúcar somava 6,84 milhões de toneladas.

Segundo Paulo von Oertzen, responsável pela mesa de açúcar da Tria Trading, a volatilidade do mercado exige que a gestão de risco vá muito além da observação das cotações internacionais.

“No açúcar, o risco não está apenas na tela de preço. Ele aparece no clima, no mix produtivo, no câmbio, no frete, no estoque, no contrato, no prazo, na contraparte e na capacidade de entrega. Uma operação pode ter uma boa fixação e, ainda assim, perder valor se algum desses componentes não estiver bem administrado.”

Fixação de preços exige planejamento

Como parte significativa dos contratos permite que o preço seja fixado após a negociação física, o momento da fixação influencia diretamente a rentabilidade das usinas.

Na avaliação da Tria Trading, distribuir as fixações ao longo da safra reduz a exposição a movimentos bruscos do mercado e diminui a dependência de uma única decisão comercial.

Segundo von Oertzen, o planejamento precisa considerar simultaneamente oferta global, demanda, logística internacional, fluxo de caixa da usina e necessidades de entrega. “A gestão de risco precisa olhar vários meses à frente. É necessário acompanhar o que acontece nas regiões produtoras, nos mercados consumidores e na logística internacional. Essa leitura ajuda a usina a decidir quanto produzir, quando fixar e qual volume manter em estoque.”

Estoque também gera custos

A decisão de armazenar açúcar esperando preços melhores também exige cautela. Além da expectativa de valorização do mercado, entram na conta despesas com armazenagem, seguro, movimentação e financiamento.

Com a taxa Selic em 14,25% ao ano, manter estoques representa um custo financeiro relevante, o que exige que eventuais ganhos futuros superem os custos acumulados durante o período.

A logística também influencia diretamente a rentabilidade das operações. Disponibilidade de armazéns, contratação de fretes, janelas portuárias, documentação e qualidade do produto precisam estar alinhadas para evitar atrasos e custos adicionais.

Segundo a Tria Trading, a gestão comercial tende a ser mais eficiente quando integra informações sobre produção, disponibilidade física, estrutura logística e instrumentos de proteção financeira.

A companhia atua na originação de açúcar junto às usinas, estruturação comercial, logística internacional, operações em contêineres e break bulk, além de oferecer soluções de antecipação de recursos, hedge e gestão de risco.

Para Paulo von Oertzen, o cenário atual exige uma visão integrada de toda a cadeia. “Nosso papel é atuar como parceiro das usinas, combinando inteligência de mercado, comercialização, proteção financeira e capacidade de execução. Em um mercado volátil, a melhor decisão não depende de uma única variável, mas da capacidade de manter todos esses elementos equilibrados ao mesmo tempo.”

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