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São Martinho aumenta moagem em 3,9% no início da safra 2026/27

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Companhia processou 8,5 milhões de toneladas de cana no primeiro trimestre, elevou a produção de etanol e registrou receita líquida de R$ 1,53 bilhão

A São Martinho processou 8,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no primeiro trimestre da safra 2026/27, crescimento de 3,9% em relação às 8,18 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ciclo anterior. De acordo com o relatório de resultados divulgado pela companhia no dia 10 de agosto, o avanço foi sustentado principalmente pela recuperação da produtividade agrícola, enquanto a produção apresentou maior direcionamento para o etanol.

A produtividade dos canaviais alcançou 86,6 toneladas por hectare no período, alta de 7% frente às 81 toneladas por hectare do primeiro trimestre da safra passada. Segundo a São Martinho, o desempenho está relacionado à normalização das condições climáticas durante a entressafra.

Do total de cana processada, 5,68 milhões de toneladas foram provenientes de áreas próprias, aumento de 4,9%, enquanto 2,83 milhões de toneladas tiveram origem em fornecedores, crescimento de 2%. O ATR médio ficou praticamente estável, em 122,4 kg por tonelada de cana, avanço de 0,4% na comparação anual.

Com maior moagem e ATR estável, a produção de ATR proveniente da cana alcançou 1,041 milhão de toneladas, 4,3% acima das 998,4 mil toneladas registradas um ano antes. Considerando também a operação de milho, a produção consolidada chegou a 1,144 milhão de toneladas de ATR, igualmente 4,3% superior ao primeiro trimestre da safra 2025/26.

Mix mais alcooleiro reduz produção de açúcar

Apesar do crescimento da moagem, a produção de açúcar recuou no trimestre em razão da mudança no mix industrial. A São Martinho produziu 424,8 mil toneladas de açúcar, queda de 10,6% ante as 475,1 mil toneladas do mesmo período da safra anterior.

A participação do açúcar no mix da operação de cana ficou em 43%, contra 50% no primeiro trimestre da safra 2025/26. Com isso, 57% do mix foi direcionado ao etanol. A produção de etanol a partir da cana avançou 19,1%, passando de 297,8 mil m³ para 354,6 mil m³.

Além da matéria-prima canavieira, a São Martinho processou 139 mil toneladas de milho no trimestre, crescimento de 1,2%. A operação produziu 59,1 mil m³ de etanol de milho, volume 4,3% superior ao registrado no mesmo intervalo da safra anterior. Também foram produzidas 35,6 mil toneladas de DDGS, queda de 6,1%, e 2,3 mil toneladas de óleo de milho, avanço de 20,2%.

Segundo o relatório da companhia, o processamento de milho permaneceu alinhado ao plano de produção e ao guidance estabelecido para a safra 2026/27. Somadas as duas matérias-primas, a produção de etanol da São Martinho chegou a aproximadamente 413,7 mil m³ no trimestre.

A cogeração também permaneceu relevante no período. A energia elétrica exportada totalizou 303,9 mil MWh, ligeiramente abaixo dos 306,4 mil MWh registrados no primeiro trimestre da safra anterior.

Apesar do mix mais alcooleiro registrado no acumulado do trimestre, a São Martinho informou, durante a apresentação dos resultados, que ajustou a operação em direção ao máximo de açúcar ao longo do período. Segundo a companhia, a decisão refletiu a queda dos preços do etanol e a maior estabilidade das cotações do açúcar. Para o restante da safra 2026/27, a definição do mix seguirá condicionada à dinâmica dos preços dos dois produtos.

Preços menores pressionam receita

Embora os indicadores de produção tenham avançado, o ambiente de preços e a estratégia comercial adotada pela companhia pesaram sobre os resultados financeiros do trimestre. A receita líquida consolidada alcançou R$ 1,53 bilhão, retração de 17,6% na comparação com os R$ 1,86 bilhão registrados no mesmo período da safra anterior.

De acordo com a São Martinho, o desempenho refletiu principalmente os menores preços de comercialização de açúcar e etanol e a redução do volume vendido do biocombustível, parcialmente compensados pelo aumento das vendas de açúcar.

A receita líquida com açúcar somou R$ 683,6 milhões, queda de 15%. O preço médio de comercialização recuou 25,7%, para R$ 1.779,1 por tonelada, enquanto o volume vendido cresceu 14,5%, de 335,5 mil para 384,3 mil toneladas.

No etanol, a receita líquida atingiu R$ 630,2 milhões, retração de 26,4%. O volume comercializado caiu 23,2%, para 224,7 mil m³, enquanto o preço médio recuou 4,2%, para R$ 2.804,7 por m³.

A companhia explica que a redução das vendas de etanol decorreu, em parte, da base de comparação mais elevada, já que o primeiro trimestre da safra anterior contou com a comercialização de volumes produzidos durante a safra 2024/25 e mantidos como estoque de passagem.

Outro fator foi a estratégia comercial adotada para a safra atual. Segundo a São Martinho, a programação prevê maior concentração das vendas de etanol no segundo semestre do ciclo 2026/27.

Na energia elétrica, a receita líquida avançou 5,3%, para R$ 88,7 milhões. O preço médio comercializado aumentou 6,8%, apesar da redução de 1,4% no volume vendido. Já a comercialização de CBIOs atingiu aproximadamente 312 mil créditos, alta de 72,4%, enquanto o preço médio bruto caiu 56,7%, para cerca de R$ 16,50 por CBIO.

EBITDA recua para R$ 582 milhões

O EBITDA Ajustado da São Martinho atingiu R$ 582,3 milhões no primeiro trimestre, queda de 27,7% em relação aos R$ 805 milhões registrados um ano antes. A margem EBITDA Ajustado passou de 43,3% para 38,1%, redução de 5,3 pontos percentuais.

Segundo a companhia, o desempenho foi influenciado principalmente pelo menor volume de ATR comercializado e pela redução dos preços médios de açúcar e etanol, efeitos parcialmente compensados pelos custos menores no período.

O CPV Caixa totalizou R$ 821,4 milhões, queda de 11,4%. A redução refletiu o menor volume comercializado, com retração de 7,6% no ATR vendido, principalmente na operação de cana, além da queda dos preços dos produtos derivados da matéria-prima e seu impacto sobre o Consecana.

A melhora operacional também teve reflexos sobre os custos. Na apresentação dos resultados, a São Martinho destacou que o custo caixa total da operação de cana recuou 4,6%, passando de aproximadamente R$ 1.813 para R$ 1.729 por tonelada de ATR. Entre os fatores apontados pela companhia estão a melhora da produtividade agrícola, o aumento do ATR produzido e o menor volume comercializado no trimestre.

O lucro líquido encerrou o trimestre em R$ 38,1 milhões, 39,3% abaixo dos R$ 62,8 milhões registrados no primeiro trimestre da safra passada. De acordo com a São Martinho, o resultado também reflete o menor volume de produtos comercializados, dentro da estratégia de vendas definida para o ciclo atual.

Etanol de milho gera EBITDA de R$ 82,5 milhões

A operação de milho contribuiu com R$ 235,3 milhões para a receita líquida consolidada no trimestre, queda de 11,5% na comparação anual. O EBITDA dessa operação alcançou R$ 82,5 milhões, retração de 13,6%, com margem de 35,1%.

O EBIT da operação de milho ficou em R$ 76,4 milhões, 12,6% inferior ao registrado um ano antes.

Segundo a companhia, o desempenho econômico-financeiro do segmento refletiu menores preço e volume comercializados de etanol, parcialmente compensados pelo crescimento da receita de óleo de milho e pela redução dos custos da matéria-prima e da operação industrial.

Ao fim de junho, a São Martinho já havia comprado 462,6 mil toneladas de milho para processamento na safra 2026/27, a um preço médio aproximado de R$ 58,80 por saca, líquido de impostos. Desse total, 67,5 mil toneladas estavam em estoque e outras 395,1 mil toneladas seriam entregues ao longo da safra.

A companhia informou ainda que as obras e os desembolsos financeiros da segunda fase da operação de etanol de milho seguem dentro do cronograma planejado, com início da operação previsto para o segundo semestre de 2027. No primeiro trimestre, o custo do milho processado ficou próximo de R$ 51 por saca, redução de 5,9% na comparação anual.

Dívida líquida chega a R$ 5,2 bilhões

A dívida líquida da São Martinho atingiu R$ 5,2 bilhões ao final de junho, crescimento de 5% em relação aos R$ 4,96 bilhões registrados em março. Segundo a companhia, o avanço decorreu de novas captações destinadas ao capital de giro e a investimentos recorrentes.

A relação entre dívida líquida e EBITDA Ajustado dos últimos 12 meses passou de 1,41 vez em março para 1,59 vez em junho.

O resultado financeiro caixa, por sua vez, correspondeu a uma despesa de R$ 90,7 milhões, redução de 27,3% frente ao primeiro trimestre da safra anterior. A melhora refletiu principalmente o crescimento das receitas financeiras e das disponibilidades de caixa, parcialmente compensado pelo aumento das despesas financeiras e da dívida bruta.

Investimentos em expansão somam R$ 138,7 milhões

A companhia também manteve investimentos relevantes no início da safra. O Capex de manutenção totalizou R$ 334,8 milhões, retração de 6,2% na comparação anual, movimento atribuído à normalização das condições climáticas durante a entressafra e à execução do plano de manutenção previsto.

Os investimentos destinados à melhoria operacional chegaram a R$ 33,1 milhões, aumento de 46,5%, relacionado ao cronograma de reposição de frota e veículos leves.

Já o Capex de expansão somou R$ 138,7 milhões no trimestre. Os recursos foram destinados principalmente aos projetos aprovados na safra 2025/26, incluindo a expansão da operação de etanol de milho na Unidade Boa Vista, desembolsos finais de projetos em fase de conclusão, entre eles o de biometano, e a ampliação do plano de irrigação. De acordo com a São Martinho, os investimentos em irrigação têm como objetivo aumentar a resiliência dos canaviais às condições climáticas.

Natália Cherubin com informações da São Martinho

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