São Martinho crê em retomada da demanda até quarto trimestre, mas adia investimentos

Mesmo carregando a maioria de seu etanol para a estocagem na safra 2020/21, a São Martinho acredita que a retomada da demanda pelo biocombustível acontecerá entre o terceiro e quatro trimestre deste ano. No entanto, diante do cenário atual, decidiu postergar investimentos que estavam planejados.

“Acreditamos em uma retomada de demanda até o quarto trimestre. Sendo assim, não haverá grande impacto para a companhia. Não acreditamos que o preço do petróleo estará pior também”, disse Felipe Vecchiato, CFO da São Martinho em videoconferência realizado pelo banco Credit Suisse na tarde de ontem, 02 de abril.

A São Martinho tem contrato com uma das distribuidoras que declarou a suspensão da compra de etanol por motivos de força maior. Com isso, segundo o CFO da companhia, isso significa que entre março e maio, seriam cerca de 47 mil m3 cúbicos de etanol que iriam para estoque e venda no ano sequente.

“Nosso time comercial está sentado com a distribuidora para negociar. Mas, do ponto de vista financeiro, eu não acho um grande problema para a São Martinho, particularmente, nesse momento. Primeiro porque não temos um volume tão relevante entre abril e maio. Segundo que, na nossa visão, os meses de abril, maio e junho vão ser os meses em que os preços de etanol vão cair consideravelmente. Então, teríamos a obrigação de vender esse etanol a preços muito baixos”, disse Vecchiato.

Investimentos adiados diante do cenário atual

A São Martinho tem dois grandes investimentos, um já anunciado, em ampliação da capacidade de cogeração de energia da unidade de Pradópolis, SP. O outro, em uma nova planta de etanol de milho, que estava em análise do Conselho até o final de março. Ambos os investimentos deverão ser postergados diante do cenário que se instalou.

A companhia vendeu energia no leilão A-6, realizado em outubro e tinha, até fevereiro, a projeção de investir no primeiro trimestre em uma nova caldeira. No entanto, como o leilão preconiza a entrega de energia somente em 2025, a São Martinho decidiu adiar o investimento até as coisas acomodarem.

“Íamos iniciar este ano, mas com a crise vamos postergar um pouco os investimentos nisso. Dado que tenho que entregar em 2025, não tenho necessidade de gastar esse dinheiro agora. Podemos esperar as coisas se acomodarem e o preço do petróleo se estabilizar para investir. Temos dois anos. E o limite seria 2023. Então vamos segurar um pouco”, afirmou o CFO da São Martinho.

A planta de etanol de milho, cuja carta de intenção foi assinada com o governo do Estado de Goiás em meados de novembro, estava em aprovação do Conselho, mas não deverá decolar.

Segundo Vecchiato, a economia mudou muito em curto prazo e parte do Capex do projeto era em dólar, ou seja,  1/3 seria a um dólar custando R$ 5,30. O preço do milho em si não seria um problema, de acordo com o CFO porque a companhia entende que é mais uma questão de safra e safrinha.

“O principal ponto é avaliação é como o preço do petróleo vai ser acomodado. Ficará em US$ 40, US$ 50 ou US$ 30? Estávamos esperando a aprovação até o final de março, mas diante de tudo isso, vamos reavaliar no final do ano. Este ano provavelmente não teremos investimentos na planta de etanol de milho, e, se tiver, talvez somente no quarto trimestre, se as coisas se acomodarem”, salientou.

Ele ainda afirmou que a empresa pode optar por reduzir mais o Capex em melhoria operacional ou na postergação da compra de máquinas como colhedoras de cana, mas disse que irão analisar isso somente na época da compra.