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O preço do açúcar no mercado internacional decolou quase 70% no intervalo de um ano para US$ 17 por libra internacional (lb), à medida que o tempo seco maior que o esperado no Brasil adiciona uma dose de risco aos ganhos da cadeia açucareira, avalia o Bank of America (BOAC34).

“Acreditamos que o rali nos preços da commodity possa abrir uma janela de oportunidades às empresas do setor, acelerando a cobertura (hedge) para as próximas safras. A BrasilAgro (AGRO3) é o papel mais exposto à valorização dos preços futuros”, comenta a equipe de analistas.

Segundo o BofA, a BrasilAgro tem apenas 40% de sua safra 2021/22 de açúcar coberta, enquanto a São Martinho (SMTO3) possui o mesmo percentual entre 75% a 80%.

Ao mesmo tempo, o banco americano adverte que a BrasilAgro não tem proteção para a próxima safra, fazendo com que opere melhor do que os pares.

“Todavia, continuamos a enxergar um bom momento de retornos, tanto para a BrasilAgro, quanto para a São Martinho, dado também o preço elevado do etanol, ancorado pelo próprio açúcar e o petróleo”, afirma o BofA, mantendo a recomendação de compra para ambas ações.

A região Centro-Sul do Brasil está enfrentando uma situação crítica, com seca avançando pelos canaviais. Ao mesmo tempo, as previsões meteorológicas engrossam as condições de secura em maio.

Dado o cenário, muitos participantes da indústria cortaram suas estimativas de produção. O consenso aponta que o volume de cana-de-açúcar deve recuar entre 6% a 12% nesta safra.

Se as previsões se confirmarem, a produção de cana deve cair para faixa entre 3,2 milhões a 5,6 milhões de toneladas, ante 38,4 milhões de toneladas na safra 2020/21.

No caso do etanol, a redução pode chegar ao patamar entre 1,5 bilhão a 3 bilhões de litros.

“O cenário implica em ofertas limitadas no mercados global de açúcar e doméstico de etanol, sustentando os níveis elevados dos preços”, concluem os analistas.

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