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São Martinho encerra safra 2025/26 com EBITDA de R$ 3,5 bilhões e projeta moagem recorde

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Companhia fecha ciclo com receita de R$ 7,4 bilhões, lucro de R$ 836,2 milhões e expectativa de crescimento de 10,7% no ATR para a safra 2026/27

A São Martinho encerrou a safra 2025/26 com receita líquida de R$ 7,435 bilhões, EBITDA Ajustado de R$ 3,503 bilhões e lucro líquido de R$ 836,2 milhões, em um ciclo marcado por volatilidade nos preços das commodities e impactos climáticos sobre os canaviais. De acordo com relatório de resultados divulgado pela companhia nesta segunda-feira, 25, a moagem totalizou 21,9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, praticamente em linha com a safra anterior, enquanto o ATR produzido somou 3,044 milhões de toneladas, retração de 2%.

Segundo a companhia, o desempenho operacional foi impactado pela menor ocorrência de chuvas durante o período crítico de crescimento da cana, reduzindo a produtividade agrícola e o ATR médio do canavial. A produtividade caiu 4,1% na comparação anual, enquanto o ATR médio recuou 2,5%.

No consolidado da safra, a São Martinho produziu aproximadamente 1,4 milhão de toneladas de açúcar, alta de 7,1% frente à safra anterior, e 1,1 milhão de metros cúbicos de etanol, retração de 6,3%. Já a operação de milho adicionou 220,9 mil metros cúbicos de etanol, 138,6 mil toneladas de DDGs e 6,2 mil toneladas de óleo de milho. Somando as operações de cana e milho, a produção total atingiu 3,429 milhões de toneladas de ATR, queda de 1,4%.

A companhia destacou que comercializou cerca de 1,4 milhão de toneladas de açúcar, 1,2 bilhão de litros de etanol, 1.113 mil MWh de energia elétrica renovável e 137 mil toneladas de DDGs ao longo da safra. Segundo a administração, os números refletem “disciplina rigorosa” e capacidade de navegar em um ambiente de juros elevados e instabilidade mercadológica.

Estratégia comercial impulsiona receita do etanol

No quarto trimestre da safra, a receita líquida cresceu 29,1% na comparação anual, alcançando R$ 2,244 bilhões. O avanço foi impulsionado principalmente pela performance do etanol, cuja receita avançou 43,1%, apoiada pelo aumento de 37,6% no volume comercializado e alta de 4% nos preços médios. A companhia afirmou que concentrou parte relevante das vendas de etanol no quarto trimestre para capturar melhores preços no mercado doméstico.

A receita com açúcar somou R$ 706,3 milhões no trimestre, alta de 16,7% frente ao mesmo período da safra anterior, impulsionada pelo crescimento de 32,3% no volume comercializado, parcialmente compensado pela queda de 11,8% nos preços médios. No acumulado da safra, porém, a receita do adoçante recuou 1,5%, pressionada pela retração de 7,1% nos preços praticados, apesar do aumento de 6,1% nos volumes vendidos.

No etanol, a receita líquida acumulada atingiu R$ 3,470 bilhões, crescimento de 7,9% em relação à safra 2024/25, sustentada por preços médios 7,3% superiores. A São Martinho ressaltou que o desempenho está alinhado à estratégia comercial adotada durante o ciclo, com maior alocação de vendas em períodos de mercado mais favoráveis.

As receitas de energia elétrica também avançaram. No acumulado da safra, a comercialização de energia somou R$ 285,8 milhões, alta de 22,5%, reflexo do aumento simultâneo de preços e volumes comercializados. Segundo a companhia, a melhora operacional está associada ao início do período contratual da UTE Fase II, na Unidade São Martinho.

Já a receita com CBIOs sofreu forte retração no quarto trimestre. Foram comercializados cerca de 342 mil créditos, queda de 30,7%, com preço médio líquido de R$ 18,9 por CBIO, levando a receita trimestral para R$ 6,5 milhões, retração de 75,1% na comparação anual.

Operação de milho entrega EBITDA de R$ 400 milhões

Na operação de milho, a companhia reportou EBITDA de R$ 400,8 milhões, com margem EBITDA de 39,2%. Segundo a São Martinho, os resultados refletiram melhores condições mercadológicas para etanol e DDGs, menor custo da matéria-prima processada e maior eficiência industrial.

O EBITDA Ajustado consolidado da companhia totalizou R$ 3,503 bilhões na safra 2025/26, crescimento de 1,7%, com margem EBITDA Ajustado de 47,1%. No quarto trimestre, o indicador avançou 41,9%, alcançando R$ 1,094 bilhão. Já o lucro líquido cresceu 50,2% no acumulado da safra, somando R$ 836,2 milhões.

O custo dos produtos vendidos (CPV Caixa) somou R$ 3,393 bilhões na safra, queda de 2,9% frente ao ciclo anterior. Segundo a companhia, o desempenho refletiu maior eficiência industrial após os impactos das queimadas ocorridas em agosto de 2024, além de maior participação de cana própria e arrendada.

Companhia amplia investimentos em milho, irrigação e biometano

Em relação aos investimentos, o CAPEX total da safra 2025/26 atingiu R$ 2,806 bilhões. O CAPEX de expansão somou R$ 662,9 milhões, contemplando principalmente a segunda fase do projeto de etanol de milho, aquisição de ativos biológicos da Usina Santa Elisa, além de projetos de irrigação e biometano.

A companhia também informou que iniciou os testes operacionais com o primeiro trator e a primeira colhedora movidos a etanol, além de ampliar a utilização de colhedoras de duas linhas. Outro destaque foi a inauguração da biofábrica de Trichogramma na Unidade São Martinho e o início da operação da planta de biometano na Unidade Santa Cruz.

Na área agrícola, a São Martinho afirmou ter realizado aquisição estratégica de áreas de canavial da Santa Elisa, ampliando a disponibilidade de matéria-prima em regiões consideradas de alta qualidade agrícola.

Guidance prevê moagem recorde na safra 2026/27

Para a safra 2026/27, a companhia projeta moagem recorde de aproximadamente 23,65 milhões de toneladas de cana, avanço de 7,9% frente ao ciclo recém-encerrado. A expectativa é produzir 3,370 milhões de toneladas de ATR, crescimento de 10,7%, apoiado pela recuperação climática, expansão da área agrícola e melhores práticas de manejo.

O guidance também prevê ATR médio de 142,5 kg por tonelada de cana, alta de 2,5% na comparação anual. Segundo a companhia, as chuvas mais favoráveis na entressafra permitiram melhor recuperação dos canaviais.

No etanol de milho, a previsão para 2026/27 é de processamento de 495 mil toneladas de milho, com produção estimada de 209 mil metros cúbicos de etanol, 134 mil toneladas de DDGs e 8 mil toneladas de óleo de milho.

A São Martinho estima ainda CAPEX total de aproximadamente R$ 2,9 bilhões para a próxima safra, crescimento de 5,1%, impulsionado principalmente pelos desembolsos relacionados à expansão do etanol de milho.

Natália Cherubin para RPAnews

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Episódio 22: Como as tecnologias e a IA impactam as operações agrícolas?

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