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O aumento dos preços do diesel e de fertilizantes pressionou o custo caixa da São Martinho no 1º trimestre desta safra 2021/22, mas a companhia não espera que a tendência perdure na próxima temporada. Foi o que afirmou diretor financeiro e de relações com investidores Felipe Vicchiato em teleconferência com analistas sobre os resultados obtidos de abril a junho.

O custo de produtos vendidos (CPV caixa) subiu 16,8% no período em relação ao mesmo trimestre da safra anterior, para R$ 504 milhões. O custo unitário, sem Consecana, aumentou 5,9%, para R$ 688 por quilo de Açúcar Total Recuperável (ATR) vendido, apesar de o volume de produtos vendidos (açúcar e etanol) ter caído 14,4%, para 732 mil toneladas.

Houve um aumento do custo de produção de açúcar de 32% no 1º trimestre, e de 45% no caso do etanol. A alta apertou a margem do açúcar, que caiu 2,6 pontos percentuais no trimestre.

Já no etanol, a companhia conseguiu capturar preços mais elevados, o que mais do que compensou o aumento do custo. A margem de produção de etanol no período aumentou 17,4 pontos percentuais.

“Esse aumento é devido ao maior custo de diesel, que no ano passado estava menor com o petróleo baixo”, disse o executivo.

Também houve pressão do custo com fertilizantes – o potássio, por exemplo, subiu 50%. Os gastos com fertilizantes neste ano estão em R$ 90 milhões, ante R$ 60 milhões na safra passada.

Esse aumento ocorre mesmo com um projeto de otimização de recursos da São Martinho que diminuiu a necessidade de aplicação de potássio entre 20% e 30%. A empresa gastou R$ 80 milhões em todas as suas quatro usinas no ano passado no projeto para a redução de consumo do fertilizante.

Máquinas agrícolas

Ainda para esta safra, a companhia deverá enfrentar outra elevação de custos recorrentes com troca de maquinário, por causa da alta do aço. “Nas máquinas agrícolas que vamos ter que trocar, como colhedoras, tratores e caminhões, o que deve acontecer no fim do semestre, vai ter um aumento de 25% a 30%”, antecipou Vicchiato.

O diretor financeiro disse que a companhia está “em discussão” para tentar reduzir esses custos. Para a próxima safra, porém, a expectativa da companhia e de que os preços dos insumos não continuam a trajetória de alta deste ano. “Espero que talvez reduza, ou na pior das hipóteses fique neste nível, que é bastante alto”.

Operações de hedge Ainda na teleconferência, a São Martinho informou que pisou no freio nas operações de hedge de açúcar recentemente, diante da tendência de valorização da commodity. “Tomamos a decisão de diminuir a velocidade de hedge”, afirmou Vicchiato.

Até o fim do 1º trimestre, a companhia tinha 85% do volume de açúcar de sua própria cana com preços fixados para entrega na safra atual, ou 712,6 mil toneladas. Para a próxima temporada, a companhia tem 346,1 mil toneladas de açúcar a preços fixados.

Segundo o executivo, quase todo o açúcar hedgeado para esta safra está acertado com os contratos que vencem em outubro na bolsa de Nova York. Com isso, as entregas de açúcar para o 2º trimestre (em curso) e para o 3º trimestre já estão com preços acertados – o que, segundo ele, deve manter as margens do açúcar ainda sob pressão.

Com a tendência de alta da commodity, ele espera que as vendas do açúcar no 4º trimestre resulte em margens melhores.

Para Vicchiato, há um “cenário construtivo” para os preços do açúcar por causa dos impactos das geadas nos canaviais do Centro-Sul e por causa do avanço do programa da Índia de aumentar o direcionamento de sua cana para a produção de etanol.

Ele disse, ainda, que “podemos ver o preço de açúcar melhorar no longo prazo”. “Não sei se vai a 18, 20 ou 24 [centavos de dólar a libra-peso], mas deve ser melhor que nos últimos cinco anos, que foi na média proximo a 14 centavos de dólar a librapeso.”

Para o executivo, mesmo que o preço se mantenha em 20 centavos de dólar a librapeso, “não vejo ninguém conseguindo tirar projeto da gaveta rápido para por muito açúcar no mercado”.

Mudança de estratégia

Com preços atuais de etanol em patamares elevados, a São Martinho deve deixar de carregar a maior parte de sua produção do biocombustível para venda na segunda metade da safra. “No preço atual de R$ 3,20 o hidratado, estamos vendendo. Não deve ter carrego tradicional, em que vendemos 40% no primeiro semestre [da safra] e 60% no 2º semestre, deve ser meio a meio”, disse Vicchiato

Segundo ele, se houver falta de etanol anidro para a entressafra, a São Martinho está “pronta” para importar. “É um compromisso do setor na hipótese de faltar anidro“, disse.

Caso também falta etanol hidratado na entressafra, o executivo disse que o consumidor também terá a possibilidade de abastecer com gasolina ou, se caso a correlação ainda não for tão favorável para o fóssil, “o setor está pronto para fazer a importação e atender o mercado sem nenhum problema”.

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