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S&P eleva rating da Ferrari para ‘brAA-’ e reforça expectativa de disciplina financeira

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Agência destaca ganhos de escala da Ferrari após aquisição da Usina Leme, geração consistente de caixa e liquidez confortável, mesmo em cenário de preços mais baixos do açúcar

A S&P Global Ratings elevou o rating de crédito de emissor e de emissão da Ferrari de ‘brA+’ para ‘brAA-’ na Escala Nacional Brasil e revisou a perspectiva de positiva para estável. A decisão reflete a avaliação da agência de que a companhia deve manter disciplina financeira, com alavancagem controlada, geração positiva de caixa e posição de liquidez confortável, mesmo diante de um ambiente mais desafiador para os preços do açúcar. O relatório foi divulgado em 28 de janeiro.

Segundo a S&P, a elevação do rating está associada principalmente à conclusão da aquisição da Usina Leme, que ampliou a escala operacional do grupo e fortaleceu o cluster produtivo já composto pela Ferrari e pela Usina São Luiz. Com a operação, a capacidade combinada de moagem passou para cerca de 6,0 milhões de toneladas, frente a 5,1 milhões antes da aquisição, reforçando a posição competitiva da companhia na região.

A agência também revisou o risco de negócio da Ferrari para “regular”, refletindo os ganhos operacionais esperados com a integração dos ativos e a maior eficiência logística e agrícola decorrente da proximidade geográfica entre as unidades.

Aquisição da Usina Leme fortalece escala e sinergias operacionais

De acordo com a S&P, a localização das unidades na região de Ribeirão Preto — com a Usina Leme a menos de 40 quilômetros das demais operações — deve permitir redução relevante dos custos de corte, transbordo e transporte, além de ganhos logísticos e maior eficiência na utilização das áreas agrícolas. A ampliação das áreas contíguas de colheita e o fortalecimento do poder de negociação em contratos de fornecimento de cana de terceiros e de arrendamento de terras também foram destacados como fatores positivos.

A aquisição da Usina Leme foi realizada por meio de joint venture com o Grupo Vale do Verdão, estrutura já adotada na Usina São Luiz, com participação de 50% para cada sócio. Considerando a equivalência patrimonial, o cluster passa a contar com aproximadamente 3,7 milhões de toneladas da Ferrari, 1,8 milhão da São Luiz e 900 mil toneladas da Leme.

No relatório, a S&P afirma que não espera impacto relevante da aquisição sobre o fluxo de caixa operacional livre. O desembolso líquido da operação foi estimado em R$ 161 milhões, após a compensação de dividendos gerados pela própria usina na safra 2025/26. O valor total da transação foi de R$ 425 milhões, corrigido para R$ 448 milhões até o fechamento, ocorrido em novembro de 2025.

S&P projeta alavancagem controlada e liquidez confortável

A perspectiva estável atribuída ao rating reflete a expectativa de manutenção da dívida líquida ajustada sobre o EBITDA abaixo de 2,0 vezes, mesmo em um cenário de queda dos preços do açúcar e de produtividade agrícola abaixo dos níveis históricos. A agência também projeta geração positiva de fluxo de caixa operacional livre, com FOCF superior a 10% da dívida líquida.

Para a safra 2025/26, a S&P estima EBITDA de aproximadamente R$ 720 milhões, com margem de 71%, abaixo dos R$ 815 milhões e da margem de 75% registrados na safra anterior. A produtividade agrícola deve encerrar o ciclo em torno de 85,2 toneladas por hectare, cerca de 8% inferior ao ciclo anterior, com nova redução projetada para a safra seguinte, refletindo impactos climáticos acumulados.

A agência projeta que a alavancagem permaneça próxima de 1,0 vez ao fim da safra 2025/26, podendo se aproximar de 1,5 vez nos anos seguintes, influenciada por câmbio mais valorizado, preços mais baixos do açúcar e estabilidade dos volumes de moagem. Ainda assim, a Ferrari deve preservar indicadores financeiros compatíveis com o novo patamar de rating.

O relatório também destaca a liquidez como suficiente, com fontes de caixa superiores aos usos em mais de 1,5 vez nos próximos 12 meses. A posição de caixa ao fim de dezembro de 2025, reforçada pela emissão de debêntures no valor de R$ 150 milhões realizada em agosto do mesmo ano, é apontada como um colchão relevante para absorver volatilidades de mercado e sustentar o plano de investimentos.

No cenário-base, a S&P considera inflação em desaceleração nos próximos anos, taxa de câmbio média entre R$ 5,55 e R$ 5,65 por dólar e preços do petróleo em patamares mais moderados. Para o açúcar, a agência projeta preços médios em queda ao longo dos próximos ciclos, acompanhando a curva futura, enquanto, para o etanol, as estimativas refletem a dinâmica do mercado interno, do câmbio e do petróleo.

Na avaliação final, a S&P atribui à Ferrari risco de negócio regular, risco financeiro mínimo e perfil de crédito individual classificado como ‘aa’, reforçando a leitura de que a companhia reúne escala, eficiência operacional e disciplina financeira suficientes para sustentar o novo patamar de rating no mercado doméstico.

Natália Cherubin para RPAnews

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