Tecnologias personalizadas que ECONOMIZAM e verticalizam os canaviais

Equipamento-transbordo desenvolvido pela Grunner acaba com os maiores gargalos da colheita mecanizada, a compactação e pisoteio dos canaviais, reduzindo o custo da operação em até 40%

Zero pisoteio nas linhas de cana, redução de mais de 40% no consumo de diesel, 30% a mais de agilidade nas manobras de cabeceira, maior eficiência logística e redução nos custos de operação em até 40%. Quem não gostaria de realizar uma colheita mecanizada de cana-de-açúcar com estes indicadores?

A necessidade de reduzir custos, mas, mais do que isso, ter aumento na produtividade dos canaviais, transformou-se na mão de produtores da região de Lençóis Paulista, SP, em tecnologias inovadoras para o segmento Cana.

Isso porque é da necessidade que surgem as melhores oportunidades. E foi assim que nasceu o Grunner|MB, um caminhão tão pronto para a colheita de cana que se tornou equipamento-transbordo – e, em parceria com a fabricante Mercedes Benz, é hoje uma alternativa ao tradicional uso do conjunto trator-transbordo, bastante usado na operação colheita de cana, mas que contribui para compactação dos canaviais.

Mateus Belei, que junto com seu irmão Henrique Belei, produz hoje 400 mil t de cana para o grupo Zilor, conta que, apesar de sempre terem feito o uso de tecnologias de controle de tráfego nos tratores e colhedoras e, mesmo com capacitação dos operadores, ainda observavam muita compactação nos solos. Eles descobriram que esse era o principal fator para a baixa produtividade no ciclo dos seus canaviais.

“Vimos isso como um gargalo enorme e fomos buscar alternativas para atender essa ineficiência. Começamos a analisar que os tratores, que trabalham com equipamentos de arraste, em locais com declividade, que era a nossa situação, mesmo tendo tecnologia de GPS, não eram capazes de impedir o pisoteio”, revela Belei.

Isso porque o transbordo, que de fato leva todo o peso, não possui a tecnologia que controla o seu tráfego, o que faz com que em áreas de maior declividade acabe ocorrendo o arraste do equipamento sobre a linha cana.

“Começamos a imaginar que se o transbordo fosse auto propelido seria muito mais eficaz. E foi aí que tivemos a ideia de montar isso em um caminhão. Resolvemos o problema dos eixos. Trabalhamos esse modelo durante um ano e conseguimos resolver o outro desafio: deixar o equipamento igual ao trator, com um GPS integrado. Fizemos adaptações de equipamentos utilizados em tratores para o caminhão. E acabou dando certo”, relembra Belei.

Entre 2011 e 2012 eles finalizaram seu primeiro protótipo. Em 2015, os produtores já estavam com toda a frota operando nessa configuração. E, de um ano para o outro, foi possível ver a diferença, principalmente quanto a questão de qualidade de perfilhamento da brotação do canavial.

“Então, de fato, sentimos que era uma escolha assertiva implementar essa solução para buscar a verticalização dos canaviais”, destaca Belei, que tem desde então, mantido sua média de produtividade acima dos três dígitos e 15 kg de açúcar por ha em regiões de ambientes C e D e D e E.

Grunner|MB: um equipamento

Apesar de muitos falarem que a operação de transbordo de cana com uso de caminhões não é algo novo, e não é, a proposta do equipamento-transbordo desenvolvido pela Grunner é diferente porque, segundo os desenvolvedores, foi personalizado para a operação de colheita, considerando todas as variáveis.

As principais modificações foram nas bitolas, que foram adequadas para atender os espaçamentos dos canaviais, seja o simples ou o alternado.

Redução de 20% com gasto de diesel

A Gomes Transporte faz a colheita de cana de 38% da Usina Ferrari, o que corresponde a aproximadamente 1 milhão de toneladas, com três frentes de colheita.

Nesta safra, Vicente Donizete Gomes, proprietário da prestadora de serviços, decidiu investir e substituir o conjunto trator-transbordo de uma das frentes de colheita por equipamentos Grunner,

Neste primeiro ano de experiência, de acordo com Gomes, foi possível observar uma redução de 20% de diesel. “Como a safra acabou de terminar ainda não coletamos todos os ganhos, mas além de redução no consumo de diesel podemos afirmar com certeza que este equipamento livra 100% a soqueira de pisoteio. ”

Além disso, Gomes destaca a agilidade do equipamento no campo, tanto em manobras quanto no deslocamento. “A Usina Ferrari tem gostado muito do desempenho dessa frente e mostrou interesse em aumentar a frota para este sistema. Eu, como prestador de serviços, com certeza, se pudesse já teria toda a frota de colheita 100% com este equipamento. É muito mais agilidade e produtividade”, destaca Gomes.

 

Além disso, o equipamento-transbordo vem com pneus de dimensões 20% menores do que os de um trator, o que também contribui para a redução da área de tráfego, aumentando sua distância da linha da cana. E GPS e piloto automático com controle de velocidade também foram integrados juntos a mais de 15 outras adequações.

Grunner X trator-transbordo

O PBT (Peso Bruto Total) do equipamento Grunner|MB é de 20 t, 38% menor que o conjunto trator-transbordo de 21 t operando nas mesmas condições. Comparando os equipamentos vazios, o Grunner|MB propicia uma redução de compactação de solo em 9.000 kg por PBT (Veja Figura 1).

“Um trator é engatado no cesto, que é arrastado. Quem usa o GPS é o trator. Muitas vezes o que ocorre é um movimento de pêndulo ou zig zag atrás do trator, causando o pisoteio. Como o Grunner é uma plataforma única, o GPS corrige e não temos a questão do pêndulo. A chance de pisoteio é zero”, afirma André do Amaral Silva, gerente de Operações da Grunner.

Via de regra, as colhedoras aguardam os tratores na manobra. Um trator mais o transbordo tem um comprimento entre 12 m e 16 m. O equipamento-transbordo da Grunner tem 9,6 m de comprimento, o que propicia uma entrega de 30% a mais em agilidade de manobra, de acordo com a fabricante.

“Um ciclo de carregamento e descarregamento de um transbordo com trator demora, em média, cerca de 40 minutos. Quando realizado com o Grunner|MB, o ciclo é feito em 32 minutos. Com isso, é possível operacionalizar a mesma frente de colheita com menos equipamentos”, adiciona Amaral.

Só no transbordo de cana, o equipamento da Grunner reduz em torno de 150 ml de óleo diesel por t de cana colhida.
Só no transbordo de cana, o equipamento da Grunner reduz em torno de 150 ml de óleo diesel por t de cana colhida.

Mesmo com a capacidade de carregamento de carga um pouco menor do que alguns transbordos do mercado, que chegam a 22 t, o equipamento Grunner|MB se mostrou mais eficiente também, afirma Amaral.

“Temos clientes que, com o uso do Grunner|MB que carrega 20 t fazem, em 1 hora, 40 t de cana, enquanto com o uso de um transbordo de 22 t faziam, no mesmo tempo e situação, 30 t de cana. Isso ocorre porque o giro do trator-transbordo é mais lento. Então compensa na capacidade.

De acordo com a fabricante do equipamento-transbordo, é possível reduzir 43% o gasto de diesel em litros por tonelada de cana colhida em comparação ao trator operando nas mesmas condições. Só no transbordo de cana, o equipamento da Grunner reduz em torno de 150 ml de óleo diesel por t de cana colhida.

“Isso tem um impacto ambiental enorme para usinas e produtores. Principalmente quando pensamos no RenovaBio. Uma usina média, que mói 4 milhões de t, economiza, se ela tiver uma frota inteira de Grunner|MB, mais ou menos 600 mil l de óleo diesel, que é um combustível fóssil. Para o RenovaBio, essa unidade terá uma pegada de carbono muito menor, podendo ter benefícios em Cbios”, salienta Amaral.

Ainda de acordo com a Amaral, benchmarking com clientes da Grunner mostram que o custo para o transbordamento foi reduzido em 50% por t com a troca da frota de tratores e transbordos pelo equipamento da companhia.

Os modelos oferecidos pela companhia são o Axor 3131 e o Atego 2730. De acordo com Belei, para clientes Mercedes Benz, dependendo do ano do caminhão e de algumas outras especificações, é possível fazer as adequações e transformar o caminhão no equipamento para transbordo.

Cerradão observa redução de 18% no custo de operação

A Usina Cerradão, que mói mais de 3,5 milhões de t de cana-de-açúcar na região de Frutal, MG, tem uma frota composta por 24 equipamentos, entre colhedoras, transbordos, tratores e caminhões.

Uma das frentes da usina trabalha, há duas safras, somente com o Grunner/MB e, de acordo com Matheus Uzelotto Lopes, gerente Agrícola da Cerradão, até o momento, o uso da tecnologia resultou em menos pisoteio e menor quantidade de equipamentos em relação ao modelo colhedora-transbordo. São 5 Grunners para três colhedoras.

“Nesta frente temos observado maior agilidade em deslocamento, manobra e transbordamento, gerando um ciclo muito mais ágil. No deslocamento, esse equipamento vem se mostrando 70% mais ágil. Chegamos a ter uma redução de manobras de 20% também”, revela Lopes.

Já no consumo de diesel, a Cerradão estima uma redução de 30%, se comparado ao modelo trator-transbordo. O consumo litros por t do caminhão-transbordo é de 0,21 por t, enquanto no conjunto trator-transbordo, esse número chega a 0,33 l por t.

“Quando falamos de todo o ciclo da colheita, estamos observando um ganho de aproximadamente 30% no total”, adiciona.

Ainda de acordo com o gerente Agrícola da Cerradão, apesar do capex ser mais elevado, a unidade estuda a possibilidade de aumentar o uso destes equipamentos no lugar do conjunto trator-transbordo.

“Ainda não temos o levantamento com relação aos custos com manutenções, mesmo assim, estamos vendo bons resultados na redução do custo de operação, que chegou a cair 18%”, afirma Lopes.

Na modalidade de colheita com o uso da frota Grunner, a Cerradão passou a ter um canteiro maior. Enquanto tem 44% da área total pisoteada com trator no caminhão a área passa a ser 37%.

“Temos ruas de tráfego mais estreitas, deixando um espaço maior para soqueira. Estimamos uma melhoria de 19% em relação ao canteiro.

 

Adubos líquidos e sólidos: menos custo e mais capacidade

Com a missão de trazer soluções personalizadas, em 2020 a empresa traz dois novos equipamentos para a operação de aplicação de adubos líquidos, como a vinhaça, e sólidos: são as séries ASP e ADS, ambos sobre o modelo Mercedes Benz Axor 3131. O objetivo é trazer não só mais capacidade de aplicação, reduzindo custos com diesel, mas também reduzir a zero o pisoteio das áreas.

Os equipamentos utilizados hoje para a distribuição de sólidos chegam a no máximo 20 t, com alto consumo de diesel. O ADS vem com a capacidade de 30 t nominais. A ideia é, mais uma vez, reduzir a quantidade de equipamentos para operacionalizar a lavoura.

“Mais uma vez, por não ser um equipamento de arraste, tem um tráfego mais preciso. O grau de correção do tráfego é 2,5 cm, então, em nenhum momento o Grunner|MB chega na linha de cana. Para a gente operacionalizar um equipamento de alta capacidade, trabalhamos com um número maior de eixos, no caso 5, o que alivia a compactação nominal do pneu”, explica Amaral.

O equipamento-transbordo da Grunner tem 9,6 m de comprimento, o que propicia uma entrega de 30% a mais em agilidade de manobra, de acordo com a fabricante.
O equipamento-transbordo da Grunner tem 9,6 m de comprimento, o que propicia uma entrega de 30% a mais em agilidade de manobra, de acordo com a fabricante.

Hoje, um dos problemas na aplicação de vinhaça é a dinâmica de carga, pois como trata-se de líquido, em locais mais íngremes a carga tende a balançar, causando também arraste e pisoteio. Para resolver alguns dos gargalos que existem hoje na aplicação de adubos líquidos, como é o caso da vinhaça, a empresa lançou o ASP.

Além de zero pisoteio na aplicação, o equipamento garante maior autonomia na safra. “Nossos clientes que fazem uso do ASP dizem que o principal ponto que o equipamento tem colaborado é na autonomia da safra por conta da agilidade de manobra e qualidade de aplicação”, complementa Amaral.

“Na vinhaça, o Grunner|MB tem uma dinâmica muito parecida com a do transbordo. Ele faz manobras, o carregamento e o descarregamento de vinhaça. Nesses clientes, que temos lado a lado, trator versus Grunner ASP, temos visto que o nosso equipamento entrega mais áreas aplicadas por ano. Junto a isso, temos também redução considerável de combustível frente ao trator. É muita coisa”, afirma Amaral.