Usinas de cana deixam etanol de lado e investem em plano B durante a crise

O setor sucroenergético foi diretamente atingido pela pandemia do coronavírus. A demanda por etanol caiu pela metade, o que agravou a situação de quem já acumulava perdas de 40% no preço do biocombustível.

O diretor técnico da Única, Antônio de Pádua, avalia que o impacto foi maior para o etanol do que para o açúcar, que, segundo ele, continua nos mesmo níveis de venda do ano passado. Já o do etanol caiu entre 30% e 35%.

Grupos mais capitalizados têm fôlego para armazenar a produção de etanol e até mudar o “mix” da indústria. Uma estratégia é produzir mais açúcar até passar o momento mais agudo da crise.

Em Olímpia, SP, uma usina de cana-de-açúcar espera colher 20 milhões de toneladas. Ela passou a processar 68% de açúcar, um aumento de 8% em relação à safra passada.

O Brasil deve exportar de 28 a 30 milhões de toneladas de açúcar nesta safra, o equivalente a 50% da demanda global da commodity. Isso ocorre não só por causa do aumento da produção e da exportação. Outro motivo é que a safra da Tailândia, o segundo maior produtor mundial, sofre com uma seca que castiga o país.

As usinas da região sudeste do Brasil mudaram o “mix” de produção, mas ainda encontram limitação para atender à demanda. Sandro Henrique Cabrera, diretor administrativo de usina, conta que a pandemia coincidiu com o início da safra e não deu tempo para muitas indústrias se adaptarem.