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Volume de chuvas alto não deve prejudicar cana-de-açúcar, mas pode impactar açúcar

De acordo com a última previsão do Pecege, a safra 2023/24 deve atingir 587,3 milhões de toneladas, o que significa uma alta de 6,74% em relação a safra que está terminando. (Credito: Natália Cherubin)
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O volume de chuva registrado em Ribeirão Preto, SP, do início de janeiro até esta quarta-feira, 11, atingiu 205 milímetros, de acordo com o Climatempo. O acumulado é 76,4% da média esperada para o mês inteiro, que é de 268 milímetros.

O cenário é promissor para as lavouras, principalmente para a cana-de-açúcar, de acordo com o engenheiro agrônomo da Coopercitrus de Sertãozinho (SP), Rodrigo Ortolan, em entrevista ao G1. “A cana precisa de 1,1 mil a 1,5 mil milímetros de chuva, nos seis, sete meses chuvosos que a gente tem aqui na região, para se desenvolver bem. Então a quantidade que está caindo de chuva, apesar de ser acima da média, não traz problemas para o desenvolvimento da cana”, diz.

No entanto, Ortolan afirmou que o sol também é essencial porque colabora com o processo de maturação da cana. “Tendo chuva, tendo água no solo, vai desenvolver uma boa quantidade de toneladas de cana por hectare, vai produzir bem. E quanto maior essa produção de cana por hectare, lá na frente, a chuva cessando, ela iniciando o processo de maturação, o acúmulo de açúcar vai ser grande”, relata.

Assim, ao mesmo tempo em que favorece a produtividade da lavoura, o excesso de chuva pode resultar em uma cana-de-açúcar menos doce. No setor sucroenergético, o teor é chamado ATR, que significa açúcar total recuperável.

“Devemos ter um aumento de cana por hectare em produtividade. Significa mais cana para a região, porém também temos uma questão que é o ATR”, afirma o gerente agrícola corporativo de uma usina em Pontal (SP), Fernando José Prate. “Se chove mais, produz mais cana. Mas a gente consegue fazer menos açúcar. A cana precisa de água e sol para poder transformar em energia para o desenvolvimento e aumento de produção”, diz.

Prate afirma que a unidade pretende moer na próxima safra, a partir de abril, cerca de sete milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Se as chuvas intensas continuarem com pouco espaço para o sol, o preço do açúcar no mercado deve subir.

Segundo o gerente agrícola, para obter a quantidade esperada de açúcar é necessário ter mais matéria-prima. “Se tivermos essas chuvas extensas nos meses de fevereiro e março com boa produção de cana, vamos ter menos produção de açúcar, o que aumenta o custo para a indústria da produção e tem menos açúcar. Você tem o mesmo custo para trazer a cana até a unidade industrial, ele não diminui: transporte, corte, carregamento. Porém, você vai trazer menos açúcar no mesmo caminhão”, afirma.

Informações do G1
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Episódio 25: Bioenergia sem limites: o futuro da cana além do açúcar e do etanol

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Enviamos diariamente um boletim informativo com destaques do setor bioenergético 

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