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O setor sucroalcooleiro brasileiro prevê uma retração na produção de cana-de-açúcar no Centro-Sul para a safra 2017-18 por conta da falta de investimentos em replantio dos canaviais nos últimos anos, o que deve limitar a produção de etanol.
 
A São Martinho, um dos maiores grupos de etanol e açúcar do país, projeta uma produção de 580 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2017-18 na região do Centro-Sul por conta do tempo seco e das taxas de replantio abaixo da média, disse Helder Gosling, diretor de vendas e logística da empresa.
 
Se confirmado, este número estaria abaixo dos 595 milhões de toneladas esperadas na safra atual, posicionando a produção do Centro-Sul de volta aos patamares de quatro anos atrás, disse Gosling durante o evendo anual de investidores da empresa no dia 19 de dezembro.
 
A Biosev, segundo maior produtor de etanol e açúcar do país, também espera um declínio na safra 2017-18 por conta da queda de produtividade nas plantações de cana-de-açúcar mais velhas.
 
O diretor de vendas da Biosev, Enrico Biancheri, preferiu abster-se de estimar um volume para a próxima safra, mas disse que as usinas estão com dificuldades financeiras após anos de preços baixos de etanol e açúcar, limitando sua capacidade de replantio – um dos principais custos de operação do setor.
A cultura de cana-de-açúcar é semi-perene e o ideal é que o replantio seja feito numa frequência de quatro a seis anos já que a taxa de produtividade cai cerca de 10pc a cada ano.
Os analistas esperam que o nível de renovação dos canaviais atinja um aumento histórico na próxima safra, após a queda na safra 2016-17.
Preços mais lucrativos de açúcar no último ano estimularam as usinas a favorecer a produção do adoçante em detrimento do biocombustível, mas executivos do setor disseram que muitos fatores poderiam mudar essa estratégia.
 
A União Europeia deve aumentar a produção de açúcar no ano que vem com o fim do sistema de quotas, assim como outros grandes produtores como a Tailândia e a Índia, reduzindo o déficit global e pressionando os preços do adoçante.
 
A Petrobras também está implementando uma nova política de preços para a gasolina vendida no mercado doméstico, o que poderia tornar o etanol mais competitivo nas bombas.
 
Mas este ano, o consumo de etanol hidratado permaneceu fraco. As vendas de etanol hidratado caíram 17,6pc nos primeiros 11 meses de 2016, para 13,44 bilhões de litros (253.131 barris por dia) comparados aos 16,32 bilhões de litros no mesmo período de 2015, de acordo com a agência reguladora ANP.
O consumo de etanol hidratado apresentou um declínio de 29pc, para 1,01 bilhão de litros em novembro comparado a 1,41 bilhão de litros em novembro de 2015, por conta da perda de market share para a gasolina.
 
Em novembro, o etanol hidratado não era competitivo com a gasolina em nenhum estado brasileiro, de acordo com a ANP.
O declínio do consumo de etanol hidratado ocorreu após os cortes nos preços da gasolina realizados pela Petrobras em setembro e outubro, totalizando 6,3pc de queda.
As vendas de gasolina mostraram uma recuperação de 4,3pc para 38,79 bilhões de litros no mesmo período de 11 meses, por conta dos maiores preços de etanol hidratado que impulsionaram a migração dos consumidores de volta para a gasolina. Em novembro, o consumo de gasolina apontou 14pc de recuperação para 3,71 bilhões de litros, em comparação com 3,25 bilhões de litros em novembro de 2015.
 
Mas o consumo de combustíveis nos primeiros 11 meses do ano exibiu queda de 4,5pc, refletindo o declínio de 5pc no consumo de diesel no período.
Apesar do aumento de 8,1pc nos preços de gasolina nas refinarias da Petrobras no dia 6 de dezembro, é improvável que o etanol hidratado recupere market share este ano, já que muitas usinas estão encerrando as moagens da safra atual.
 
O governo lançou recentemente um programa de incentivo ao consumo de biocombustíveis como parte do esforço de cumprimento da meta de redução das emissões de gases poluentes.
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