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Para banco, etanol e pecuária elevam receita de produtor de milho em 150%

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Relatório avalia potencial de ganhos com verticalização da produção no Mato Grosso.

A evolução da produção de milho será constante em Mato Grosso, e os produtores terão alguns cenários interessantes para a comercialização do cereal. Um deles é a verticalização da produção, por meio da instalação de usinas de etanol.

As receitas das vendas de etanol e do DDGS (coproduto rico em proteínas oriundo da industrialização do cereal) podem render 90% mais por hectare para os produtores do que simplesmente venderem o milho.

Se a opção for usar o DDGS em confinamento na própria fazenda, as vendas do etanol e da carne poderão gerar receitas até 150% maiores, por hectare, do que a venda do milho.

As informações fazem parte do último estudo de uma série sobre o potencial de Mato Grosso e a verticalização da produção feita pelo Rabobank, banco especializado em agronegócio.

Victor Ikeda, responsável pelas áreas de soja, milho e algodão do banco, mostra que com uma área de 6.200 hectares de milho safrinha o produtor obterá 10 milhões litros de etanol e 6.300 toneladas de DDGS.

Se ele aproveitar o resíduo da produção do combustível em um confinamento, poderá obter 154 mil arrobas de boi gordo. Além disso, há a possibilidade da utilização da compostagem do esterco como complementação de fontes minerais para a produção de fertilizante organomineral.

Para gerar a mesma receita da venda de etanol e de carne, provenientes da industrialização do milho produzido em 6.200 hectares, o produtor precisaria vender a produção do cereal em uma área equivalente de 15,5 mil hectares, nos cálculos de Ikeda.

A soja foi o carro-chefe no plantio de grãos em Mato Grosso, abrindo caminho também para o milho. A partir da safra 2022/23, porém, a produção do cereal deverá superar a da oleaginosa. A produtividade de milho é o dobro da de soja por hectare.

Nas últimas cinco safras, 17% do milho produzido em Mato Grosso foi consumido no estado e 61%, exportado. O consumo, que é de 5 milhões de toneladas, deverá subir para 10 milhões em 2023.

O aumento de produção no estado virá da conversão de áreas de pastagens subaproveitadas. Atualmente, 50% da área de soja é aproveitada também para a produção de milho. Em 2023, o percentual deverá subir para 60%.

O aumento ocorrerá graças ao manejo econômico, variedades mais precoces de milho e novos projetos de irrigação.

Os produtores mato-grossenses semearam 4,6 milhões de hectares com milho neste ano. Em 2023, a área será de 6,9 milhões, e a produção atingirá 43 milhões de toneladas.

Maior consumo, contudo, não é garantia de preço, que vai depender de oferta e demanda, das cotações internacionais e da logística de transporte, afirma Ikeda.

O cenário é bom, mas o produtor terá de avaliar os riscos antes de tomar decisões. A complexidade do projeto aumenta de acordo com o grau de verticalização que se aplica, exigindo mais investimentos.

Além disso, há uma indefinição no mercado de combustível e carências na modernização e na execução de novos projetos na indústria frigorífica no estado, alerta o analista do Rabobank. (Folha de São Paulo)

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Episódio 23: O etanol de milho pode mudar o futuro das usinas brasileiras?

Episódio 22: Como as tecnologias e a IA impactam as operações agrícolas?

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