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Os insumos biológicos na agricultura do futuro

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Um dos principais objetivos da sociedade moderna é a superação do modelo de desenvolvimento dependente de recursos não-renováveis, gerador de poluição, de impactos negativos no clima, no bem-estar e na saúde das pessoas.  A busca pela sustentabilidade, que mobiliza países, instituições e pessoas em todo o globo faz emergir com força uma nova vertente econômica – a bioeconomia – focada em indústrias e negócios de base biológica que respondam aos anseios de uma sociedade que exige cada vez mais produtos e processos seguros, limpos e de baixo impacto ambiental.

Esse movimento terá profundo impacto na agricultura do futuro.  Já vemos avançar a demanda por “insumos biológicos” derivados de microorganismos, extratos vegetais e outros componentes naturais ou orgânicos, como pesticidas naturais para controle de pragas e como estimulantes biológicos capazes de promover crescimento e maior eficiência na absorção de nutrientes pelas plantas, dentre muitos outros usos.  Um grande apelo dos insumos biológicos é a sua especificidade para o alvo pretendido e o baixo impacto em organismos não-alvo, o que leva a baixo risco de resistência e um baixo impacto ambiental.

O Brasil, por ser o país com a maior diversidade biológica do planeta, pode participar com grande vantagem desse mercado emergente.  A nossa biodiversidade é reserva quase ilimitada de insetos, bactérias, fungos, nematóides, protozoários e vírus, além de imensa gama de compostos naturais como reguladores de crescimento, ácidos orgânicos, feromônios, etc.  Na riqueza biológica dos solos tropicais estão microorganismos capazes de controlar patógenos de plantas, promover o crescimento radicular, aumentar a eficiência na absorção e uso de nutrientes, degradar contaminantes do solo, dentre muitas outras funções de interesse.

Antes de serem considerados solução definitiva e imediata para todos os problemas da agricultura, os insumos biológicos são hoje componentes importantes na evolução de uma agricultura sistêmica, integrada e sustentável.  Nós ainda dependeremos, por algum tempo, das soluções convencionais para fertilização e proteção das nossas lavouras, mas com a evolução tecnológica e a ampliação do conhecimento sobre sistemas biológicos, a disponibilidade de alternativas cada vez mais completas e eficientes crescerá, até mesmo em função das crescentes dificuldades e custos no campo regulatório, o que dará aos insumos biológicos amplas vantagens no futuro.

* Maurício Antônio Lopes é presidente da Embrapa

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