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Queda no preço do etanol arrasta para baixo valor da cana e ameaça produtores nordestinos

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Os produtores de etanol nordestinos se reuniram com o ministro da Agricultura Marcos Montes, nesta quarta-feira (16), em Brasília, e pediram uma revisão sobre as medidas de taxação sobre os combustíveis. De acordo com a  AFCP  (Associação dos Fornecedores de Cana de PE), desde a adoção das políticas governamentais sobre o preço dos combustíveis nos últimos meses, houve uma queda acentuada no valor da cana, deixando-o 20% menor que no mesmo período da safra anterior.

O assunto foi debatido por entidades canavieiras da região, sob a liderança da União Nordestina dos Plantadores de Cana (Unida), presidida por José Inácio, com o ministro da Agricultura, Marcos Montes.

Hoje, segundo a entidade, quase 100% dos 7 mil canavieiros de Pernambuco produzem em regime de economia familiar e dependem da produção e comercialização do açúcar e etanol pelas usinas, uma vez que o preço da cana é definido em conformidade a estes produtos. “Esta estratificação socioeconômica do setor canavieiro se verifica em todos os estados produtores do Nordeste” disse a entidade

Em setembro e outubro de 2021, a tonelada da cana custava R$ 167,73 e R$ 168,43 respectivamente. Neste ano, no mesmo período, as usinas só pagaram R$ 158,50 e R$ 154,64. “Além da grande queda de valor, os custos de produção só aumentaram. O produtor rural passou a pagar para plantar cana, literalmente, o que vem a ameaçar as próximas safras”, fala Alexandre Andrade Lima, presidente da AFCP e da usina Coaf (Timbaúba).

O maior responsável nesta tamanha baixa no valor da cana no Nordeste, segundo a AFCP, está ligado à política nacional nos combustíveis, impactando no preço do etanol. Em julho último, a tonelada do etanol hidratado era comercializada pelas usinas aos postos por R$ 3.828,20; mês passado foi R$ 2.306,30.

Portanto, houve uma queda elevada de quase 40%, arrastando para baixo o preço da cana em curto tempo. Em julho, por exemplo, a cana custava R$ 183,77, caindo para R$ 154,64 em outubro, uma redução de quase 16%. A queda é maior, em torno de 20% quando se leva em conta os custos de produção maiores”, realçou Lima ao lado de José Inácio e de Flávio Romero, dirigente do Sindicato dos Cultivadores de Cana de PE.

O ministro acha justo o pleito do setor canavieiro nordestino para se melhorar a medida sobre a taxação dos combustíveis, que prejudicou o biocombustíveis face aos fósseis, afetando a cadeia sucroenergética e sobretudo o setor dos canavieiros, atingindo em cheio o NE que está em plena safra. Montes já encaminhou o pleito para a área responsável no Ministério, com objetivo da questão ser levada ao governo de transição”, contam a Unida, AFCP e o Sindicape.

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