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Opinião: Raízen no 2T25: prejuízo, seca, venda de ativos e jogo de cintura mineiro

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Ô de casa, nem toda safra vem doce. No segundo trimestre do ano-safra 2024/25 (2T25), a Raízen (RAIZ4) viu o lucro escorregar da carroça. Fechou com prejuízo líquido de R$ 158 milhões — e, mesmo no ajuste fino, continuou no vermelho: R$ 96,7 milhões.

O Ebitda ajustado caiu 1,7%, para R$ 3,662 bilhões, e o resultado financeiro ficou negativo em R$ 1,685 bilhão. Como mineiro diz: “Foi ruim, mas podia ser pior… e foi quase igual ao ano passado, só que com mais espinho no caminho”.

O que pegou
• Estrutura de capital e alavancagem: dívida pesou mais que saco de açúcar molhado.
• Mobilidade: segmento não deu o gás esperado.
• Açúcar: segurou parte do rojão.
• Seca e queimadas: castigaram produtividade.
• Créditos tributários: monetização de R$ 1,3 bi adoçou um pouco o café amargo.

Venda de ativos: esvaziando a tulha

2025 foi tempo de colher cana e vender patrimônio. Saíram as usinas Santa Elisa, Rio Brilhante, Passatempo e Continental, além de ativos fora do Brasil e participações menores. A estratégia é focar no core business, simplificar e cortar despesas.
Em mineirês: “Tá vendendo as tranqueiras e até uns móveis bons pra fazer caixa e arrumar a casa”. E infelizmente os números mostram que novo “ garage sales” vem or ai com mais ativos valiosos.

Ajustes de rota

A previsão de moagem foi recalibrada para 78,5 a 80 milhões de toneladas, com reforço na renovação dos canaviais. Menos dívida e ativos mais estratégicos devem ajudar a navegar melhor nos próximos trimestres.

Moral da história

No agro e na energia, não basta ter cana boa — precisa de céu favorável, finança redonda e mercado firme. Se o tempo virar, é ajeitar o leme e seguir. Como dizia meu avô: “Quem planta cana não pode ter preguiça de moer”.

Dicionário Mineirez prôcês entender:
• Prejuízo líquido: Fez a feira, mas voltou com a sacola furada.
• Prejuízo ajustado: Descontando o churrasco, sobrou pouco.
• Ebitda: O tanto que a horta deu antes de pagar aluguel e comprar semente.
• Resultado financeiro negativo: Juro do banco mordeu mais que cachorro com raiva.
• Estrutura de capital e alavancagem: Se apoia demais no caixote, uma hora quebra.
• Monetização de créditos tributários: Vender fiado pro governo e receber em dinheiro.
• Sazonalidade: Tem mês que a jabuticabeira dá fruta, tem mês que fica só no galho.
• Core business: O feijão com arroz que sustenta a casa.

*Wladimir Eustáquio Costa é CEO da Suporte Postos, especialista em mercados internacionais de combustíveis, conselheiro e interventor nomeado pelo CADE, com foco em governança e estratégia no setor downstream.

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