Nos plantios de cana de ano e meio, realizados entre dezembro de 2024 e março de 2025, a presença das variedades do IAC avançou 33% em relação à colheita desse tipo de cana na safra passada. Segundo Rubens Braga Junior, consultor do IAC e responsável pelo Censo Varietal, o resultado chama atenção pelo ritmo de crescimento. “Registramos um aumento expressivo, superior a dois dígitos, em comparação ao plantio realizado na safra anterior. Isso posiciona o Programa Cana IAC como o programa de melhoramento genético com maior crescimento no período”, afirma.
Entre os materiais mais adotados, a variedade IACSP01-5503 se destacou ao ser amplamente utilizada em praticamente todas as regiões produtoras do Centro-Sul. O material ocupou a quinta colocação entre as variedades mais plantadas no período, com participação de 5,6%, o que corresponde a 66 mil hectares em áreas de renovação e cerca de 170 mil hectares de área total cultivada.
De acordo com Braga Junior, a ampla aceitação da variedade está relacionada a características altamente valorizadas pelo setor sucroenergético, como a elevada densidade de perfilhos e o porte ereto das plantas. “Trata-se de uma variedade moderna. A alta quantidade de perfilhos está diretamente associada ao ganho de produtividade, enquanto o não tombamento contribui para a qualidade da matéria-prima processada e para maiores volumes de açúcar produzidos pelas usinas. O setor passou a reconhecer e valorizar essas características”, explica.
Esta edição do Censo Varietal do IAC também se destaca por registrar, em dez anos, o maior número de respostas recebidas. O levantamento consolidou informações de 321 unidades produtoras de cana-de-açúcar, abrangendo uma área de 7,5 milhões de hectares — volume 21% superior ao da edição anterior.
Setor amplia diversificação varietal
Outro ponto relevante apontado pelo censo é o avanço na diversificação das variedades cultivadas. Segundo o consultor do IAC, o setor sucroenergético tem reduzido a concentração do plantio em poucos materiais e ampliado o número de variedades utilizadas nas áreas produtivas.
Essa tendência vem sendo observada nas últimas três edições do levantamento e é vista de forma positiva pelos pesquisadores. “A recomendação técnica é que uma região produtora ou uma usina não concentre uma única variedade em mais de 15% de sua área. O cultivo excessivo de um único material eleva o risco biológico. Felizmente, temos observado maior equilíbrio, com a mescla de variedades e a adoção de materiais mais modernos”, conclui.
Com informações da Assessoria de Comunicação do IAC