Um novo tipo de compostagem, desenvolvido a partir da mistura de borra da vinhaça, torta de filtro e esterco bovino, vem sendo utilizado como adubo no plantio da cana-de-açúcar pela Cooperativa Pindorama e já desperta o interesse de produtores rurais cooperados.
Segundo Danilo Wanderley, superintendente Agrícola da cooperativa, a proporção adotada na formulação do composto é de dois para um para um, sendo a primeira vez que o esterco bovino passa a integrar a mistura. “A gente chegou a essa proporção, mas ainda estamos analisando se essa equalização que fizemos será ideal ou se precisará de mais algum ajuste”, afirma.
A torta de filtro é resultante do processo de produção de açúcar, enquanto a borra da vinhaça é oriunda da produção de etanol. Já na produção de etanol de milho, sobra o WDG, que é fornecido aos animais no confinamento, o Boitel — também desenvolvido pela cooperativa —, responsáveis pela produção do esterco utilizado na compostagem.
De acordo com Danilo Wanderley, a tonelada do composto está sendo comercializada a R$ 70, valor que já inclui o transporte. “Esse valor já é embarcado. Praticamente, é o preço de custo que temos nesse processo”, explica. Segundo ele, mais de 600 toneladas do material já foram retiradas pelos cooperados.
A produção, no entanto, não será suficiente para atender toda a área cultivada com cana-de-açúcar da cooperativa, que soma mais de 14.500 hectares. Por isso, o uso do composto será direcionado às áreas de renovação, contemplando aproximadamente 2.500 hectares, com aplicação entre dez e 12 toneladas por hectare.
Nesse volume, o composto tem potencial para substituir cerca de 50% da adubação fosfatada. “Se a gente não equalizar 100%, pelo menos chegaremos a 70%, reduzindo a adubação de fundação”, destaca o superintendente. Segundo ele, o ganho estimado pode chegar a 15 toneladas a mais de cana por hectare.