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Açúcar e etanol entram em 2026 com viés baixista e disputa crescente pelo ATR, aponta StoneX

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Relatório Perspectivas 2026 indica pressão estrutural sobre os preços do açúcar e cenário de acomodação no etanol diante da expansão da oferta e da prioridade do mix alcooleiro no Centro-Sul

O mercado sucroenergético inicia 2026 sob um ambiente de preços mais pressionados tanto para o açúcar quanto para o etanol, em um contexto marcado por recomposição da oferta global, desaceleração do consumo em grandes polos importadores e mudanças relevantes na dinâmica do mix das usinas brasileiras. As avaliações constam do relatório Perspectivas 2026  da StoneX, que projeta viés baixista para o açúcar ao longo do ano e um cenário de acomodação nos preços do etanol, apesar de estímulos pontuais no curto prazo.

Segundo o analista da Stone X, Marcelo di Bonifácio, o açúcar bruto negociado na bolsa de Nova York encerrou 2025 com uma das maiores quedas percentuais desde 2017, refletindo a transição de um ciclo prolongado de déficit para um cenário de maior conforto na oferta global. Após atingir máximas próximas de US¢ 28/lb em 2023, os preços passaram a estimular investimentos produtivos em diversos países, movimento que agora se traduz em maior disponibilidade do adoçante no mercado internacional.

De acordo com o analista, a recuperação dos canaviais da Índia e da Tailândia exerce papel central na recomposição do balanço global. Ao mesmo tempo, o crescimento do consumo vem desacelerando em mercados relevantes como Índia, China, Indonésia e Estados Unidos, reduzindo o suporte à formação de preços. Nesse contexto, as cotações se consolidaram, ao final de 2025, na faixa entre US¢ 14 e US¢ 15 por libra-peso, patamar considerado compatível com um mercado em superávit no ciclo 2025/26.

Leia também: O que deve mexer com o lucro das usinas de etanol em 2026, segundo o BTG

Marcelo ressalta ainda que o Brasil terá papel direcional na formação dos preços a partir da safra 2026/27. As condições climáticas do período entre outubro e março serão determinantes para a produtividade dos canaviais do Centro-Sul e, consequentemente, para o volume de moagem da próxima temporada. Caso as chuvas se mantenham dentro ou próximas da média histórica, a estimativa de moagem de 620,5 milhões de toneladas tende a se concretizar.

Por outro lado, o analista alerta que uma eventual deterioração das condições climáticas pode acender um sinal de alerta no balanço global do açúcar. Isso porque, aos preços atuais da commodity nas bolsas internacionais, o direcionamento do ATR tende a priorizar o etanol. “Quanto menor for a disponibilidade de cana, menor será a flexibilidade da indústria para elevar o mix açucareiro”, aponta Marcelo, destacando que os planejamentos das usinas têm se voltado ao biocombustível, ao menos na etapa inicial da colheita.

Etanol: estímulo no curto prazo e pressão estrutural ao longo do ciclo

Para o mercado de etanol, os analistas da Stone X Rafael Borges e Isabela Garcia, avalia que o mercado inicia 2026 com estímulos relevantes no curto prazo, mas com um ambiente estruturalmente mais pressionado ao longo da safra 2026/27. Segundo os analistas, a elevação de R$ 0,10/L no ICMS da gasolina no início do ano deve sustentar os preços do etanol hidratado no primeiro trimestre, levando as cotações nas usinas para níveis próximos de R$ 3,70/L em fevereiro.

De acordo com Rafael Borges e Isabela Garcia, esse movimento, no entanto, tende a ser temporário. A partir do avanço da safra 2026/27, a dinâmica de competição entre açúcar e etanol passa a favorecer o biocombustível, incentivando as usinas a direcionarem uma parcela maior da produção canavieira ao álcool. A StoneX estima que o mix açucareiro da temporada recue para cerca de 50,6%, frente a 51,3% na safra anterior, refletindo essa mudança de prioridade produtiva.

Os analistas também destacam que a oferta de etanol será reforçada por fatores estruturais. Além da expectativa de melhora nos níveis de ATR, a safra 2026/27 deve contar com expansão da moagem no Centro-Sul, beneficiada por boas chuvas na entressafra, rejuvenescimento dos canaviais e incremento da área colhida.

Outro ponto central é o avanço do etanol de milho. Segundo a análise, a entrada de pelo menos quatro novas unidades no calendário-safra 2026/27 deve elevar a produção para cerca de 11,2 bilhões de litros no Centro-Sul, um crescimento de 16,7%. Esse aumento amplia significativamente a disponibilidade do biocombustível no mercado doméstico, mesmo em um ambiente de maior mistura de etanol anidro na gasolina, que passa para 30%.

Nesse cenário, os analistas projetam que, apesar do aumento do ICMS e da mistura obrigatória, os preços médios do etanol tendem a recuar ao longo do ciclo. A expectativa é de que o etanol PVU em São Paulo passe de uma média de R$ 3,39/L em 2025/26 para cerca de R$ 3,21/L em 2026/27. A paridade média deve se manter próxima de 66%, com o share do hidratado alcançando aproximadamente 29%, nível suficiente para absorver a oferta recorde, mas que desenha um cenário de maior aperto para as margens das usinas.

Natália Cherubin para RPAnews

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