Home Últimas Notícias Pecege revisa projeções e estima moagem de 633 milhões de t no Centro-Sul na safra 2026/27
Últimas NotíciasDestaque

Pecege revisa projeções e estima moagem de 633 milhões de t no Centro-Sul na safra 2026/27

Compartilhar

Análise do Pecege aponta recuperação técnica da safra 2025/26, impactos do clima sobre moagem, ATR e produtividade e cenário ainda pressionado para preços de açúcar, etanol e ATR

A safra 2025/26 no Centro-Sul, do ponto de vista produtivo e do período de colheita, está praticamente encerrada desde meados de dezembro. A avaliação é de Raphael Delloiagono, analista da Pecege, que apresentou uma leitura consolidada dos principais indicadores técnicos do ciclo e atualizou as perspectivas para a safra 2026/27.

“Em termos de período produtivo e de colheita, a safra praticamente já se encerrou ali em meados de dezembro. Claro que sempre tem uma unidade ou outra que segue moendo durante a entressafra, mas estamos falando de uma minoria muito restrita”, afirmou. Segundo ele, esse fechamento permite agora caracterizar o comportamento de dezembro e do ano de 2025 como um todo, além de atualizar as projeções com foco maior em 2026/27.

Ao iniciar a análise pelo clima, Delloiagono destacou que dezembro de 2025 foi chuvoso, embora abaixo da média histórica para a região relevante da produção de cana-de-açúcar no Centro-Sul. Ainda assim, o volume ficou dentro de um intervalo considerado satisfatório. Novembro foi menos chuvoso, enquanto outubro apresentou volumes mais consistentes, compondo um quadro que garantiu boa disponibilidade hídrica do solo até o início de janeiro.

“O cenário, pelo menos até o início do mês de janeiro, foi de condições climáticas satisfatórias, com boa disponibilidade hídrica do solo, o que sugere boas condições para o desenvolvimento do canavial que será colhido ao longo de 2026”, disse.

Para janeiro, fevereiro e março — meses tradicionalmente associados aos maiores volumes de precipitação — os prognósticos seguem positivos. O analista ponderou que fevereiro pode registrar chuvas abaixo da média histórica, mas ressaltou que isso não significa ausência de precipitação. “Fevereiro é um dos meses com maiores volumes históricos de chuva. Estar um pouco abaixo da média não significa, em hipótese alguma, falta de chuva”, explicou.

Ele também comparou o cenário esperado para março de 2026 com o ocorrido em março de 2025, quando as chuvas ficaram aquém do esperado e acabaram se distribuindo entre abril e junho, afetando o ritmo da safra e a evolução de indicadores técnicos. Para março de 2026, a expectativa é de chuvas acima da média histórica na maior parte do Centro-Sul ou, no mínimo, alinhadas à média regional. Em janeiro, embora ainda com dados parciais, a percepção observacional na região de Piracicaba indicava volumes positivos, considerados um bom sinal para o canavial.

No Nordeste, o analista destacou que dezembro foi favorável ao andamento da colheita e à manutenção do ritmo no pico de safra, marcando o terceiro mês consecutivo de contribuição climática positiva. Ele lembrou que o início do ciclo também foi desafiador, com setembro excessivamente chuvoso atrasando o começo das operações, seguido por três meses consecutivos de chuvas abaixo da média, que permitiram a recuperação parcial da safra. “Ainda não chegou aos níveis da safra anterior, mas houve uma recuperação”, avaliou.

Moagem, ATR e produtividade mostram resiliência na reta final

Ao tratar dos indicadores técnicos do Centro-Sul, Delloiagono apresentou dados da Unica até a primeira quinzena de dezembro. A moagem acumulada somava 598 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, frente a 612 milhões de toneladas no mesmo período da safra anterior — diferença de quase 15 milhões de toneladas.

“É um número inferior ao da safra passada”, reconheceu. No entanto, ele destacou que, ao longo do ciclo, o atraso chegou a quase 30 milhões de toneladas nas quinzenas de junho e julho, evidenciando a recuperação na metade final da safra. Na comparação com a média histórica das últimas 12 safras, em torno de 592 milhões de toneladas, o volume já havia sido superado antes mesmo do fechamento definitivo.

Delloiagono também citou os relatórios do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que já indicavam volumes superiores a 600 milhões de toneladas até dezembro, reforçando a expectativa de que a safra 2025/26 supere com folga essa marca simbólica. Durante a entressafra, entre janeiro e março, historicamente são moídas de 10 a 11 milhões de toneladas no Centro-Sul, com maior concentração em março, volume considerado na expectativa de fechamento do ciclo.

No indicador de qualidade da cana, o analista explicou que o ATR foi impactado pelas chuvas fora de época. “A chuva que deveria ter vindo em março de 2025 acabou acontecendo de forma mais relevante em abril, maio e junho, e isso afetou de maneira muito significativa a trajetória desse indicador”, afirmou. O material trabalhava com um ATR médio de 138 kg por tonelada, representando uma quebra pouco superior a 2%, depois de ter chegado perto de 5% na metade inicial do ciclo, evidenciando recuperação na segunda metade da safra.

Na produtividade agrícola, Delloiagono destacou movimento semelhante. A quebra, que chegou perto de 15% no início do ciclo, foi reduzida para algo próximo de 4% até dezembro, com base tanto nos dados do CTC quanto em pesquisas internas do Pecege.

Mix de produção, perdas estimadas e impactos sobre açúcar e etanol

No mix de produção, o analista lembrou que, entre abril e setembro, foram registrados recordes mensais de mix açucareiro, impulsionados por uma conjuntura em que o açúcar remunerava melhor que o etanol. A partir de outubro, com o início das safras asiáticas e um cenário de excesso de oferta, houve valorização do etanol e mudança no mix no último quarto da safra.

“Isso não tira o mérito da safra 2025/26 ter um recorde de mix de açúcar no acumulado”, afirmou. A estimativa apresentada foi de um mix em torno de 50,6%, valor que dificilmente deve sofrer alterações relevantes até o fechamento.

Ao combinar os efeitos da menor moagem e da queda no ATR, Delloiagono estimou uma redução de cerca de 3,5 milhões de toneladas de ATR na safra 2025/26. Em equivalentes de açúcar, isso representa aproximadamente 3,2 milhões de toneladas a menos produzidas. “Quando transformamos isso em etanol hidratado, estamos falando de algo em torno de 2,5 bilhões de litros”, disse.

Perspectivas para 2026/27 e cenário de preços

Para a safra 2026/27, o Pecege revisou sua projeção de moagem para 633 milhões de toneladas no Centro-Sul, cerca de 3 milhões de toneladas abaixo do estimado anteriormente, ajuste atribuído às condições climáticas de dezembro. Segundo Delloiagono, os demais indicadores apontam para recuperação técnica, com melhora da qualidade, maior disponibilidade de matéria-prima e mudança na preferência das usinas em direção ao etanol.

“Se nesta safra estamos esperando um mix de açúcar em torno de 50,6%, para 2026/27 vislumbramos algo próximo de 51,6% para o etanol”, afirmou. Caso confirmada, a safra 2026/27 poderá ser a segunda maior da história do Centro-Sul, atrás apenas do ciclo 2023/24.

Apesar do cenário produtivo mais favorável, o analista foi cauteloso em relação aos preços. Ele lembrou que, em 2025, o petróleo recuou de cerca de US$ 80 para níveis próximos de US$ 60 por barril, enquanto o açúcar no mercado internacional caiu cerca de 18% no ano. “O petróleo, que normalmente serve como base de sustentação para o açúcar, praticamente não existiu em 2025”, afirmou.

Segundo ele, o excesso de oferta global manteve os preços pressionados, e o cenário-base para 2026 ainda é de preços baixos no curto prazo, tanto para açúcar quanto para etanol. Ainda assim, Delloiagono indicou possibilidade de recuperação no segundo semestre. “Se tem algo positivo em se atingir o fundo do poço, é que não dá para ir para outro lugar que não seja para cima”, disse.

Entre os fatores que podem sustentar uma melhora, ele citou o custo de produção do açúcar, estimado em 18,85 centavos de dólar por libra-peso, e a possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño no segundo semestre, que poderia pressionar as safras asiáticas.

O analista ainda afirmou que a expectativa é encerrar a safra 2025/26 com ATR em torno de R$ 1,19 no sistema do Consecana-SP, abaixo do patamar observado nas últimas quatro safras. Para 2026, a avaliação é de preços ainda comprimidos no início do ano, com maior otimismo apenas na segunda metade do ciclo. “Provavelmente, ao final de 2026, a gente já começa a enxergar uma tendência positiva, ainda que tímida, para os preços do setor”, concluiu.

Natália Cherubin para RPAnews

Compartilhar

Episódio 20: Murchamento: A Nova Ameaça da Cana | DaCana Cast

Episódio 19: Ameaça a produtividade dos canaviais: doenças e nematoides. Como se proteger?

Enviamos diariamente um boletim informativo com destaques do setor bioenergético 

Artigo Relacionado
Últimas Notícias

Açúcar cristal opera com baixa liquidez e preços instáveis em SP

A semana passada, marcada pelo período pós-carnaval, registrou baixo volume de negócios...

Últimas Notícias

Menor procura reduz liquidez e pressiona etanol no spot paulista

A menor demanda por parte de distribuidoras limitou as negociações envolvendo o...

Últimas Notícias

Tereos conquista certificação ISCC CORSIA Low LUC Risk e amplia oferta de etanol para SAF

A Tereos conquistou a certificação ISCC CORSIA Low LUC Risk para a...

Últimas Notícias

Bancos contratam FTI como assessor financeiro para a dívida da Raízen

Segundo pessoas que falaram com a Bloomberg News, o grupo de bancos...