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Usinas goianas adotam postura conservadora para 2026/27 após safra 25/26 com ATR abaixo do planejado

Usina Rubi S.A processou 1.803 milhões de toneladas na safra 2025/26.
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Usinas Rubi e CRV de Goiás mantêm base agrícola estável, priorizam eficiência e veem etanol como principal sustentação de margem no próximo ciclo

As usinas CRV Industrial, em Carmo do Rio Verde, e Rubi S.A., em Rubiataba, ambas em Goiás, projetam uma safra 2026/27 marcada por cautela e foco na preservação de margens, em um cenário de preços internacionais do açúcar considerados menos atrativos. De acordo com as diretorias das usinas em entrevista à RPAnews, a leitura para o próximo ciclo é predominantemente conservadora.

“O principal desafio do setor sucroenergético será operar com eficiência, adotar estratégias de proteção de preços e preservar caixa em um ambiente de mercado mais restritivo”, afirmaram.

A avaliação ocorre após a safra 2025/26 ter sido considerada satisfatória, embora abaixo da programação inicial em alguns indicadores. “O desempenho da safra 2025/26 foi considerado satisfatório, apesar da redução no volume e no ATR. Embora o resultado final não tenha ficado dentro da programação inicial, ajustes foram realizados ao longo do ciclo para mitigar os impactos e assegurar o melhor desempenho possível diante das condições de mercado e operacionais”, informaram as diretorias.

Na safra 2025/26, a CRV Industrial moeu 1.570.440,315 toneladas de cana-de-açúcar, enquanto a Rubi S.A. processou 1.803.967,81 toneladas. Segundo a companhia, “a produtividade agrícola apresentou oscilações ao longo da safra, influenciada principalmente pelos impactos climáticos, que comprometeram o desenvolvimento da cultura”. Os efeitos foram mais evidentes tanto na cana-planta quanto nas socas de final de safra, com reflexos na qualidade da matéria-prima.

“Houve aumento na incidência de pragas de solo, como a cigarrinha-da-raiz, e o surgimento de doenças associadas ao complexo da murcha, contribuindo para a redução do desempenho agrícola”, acrescentaram.

O ATR médio registrado na safra 2025/26 foi de 119,90 na CRV Industrial e de 121,62 na Rubi S.A. “A evolução do ATR ficou abaixo do esperado, uma vez que o estresse hídrico comprometeu o desenvolvimento da cana e limitou os ganhos de qualidade. Dessa forma, o resultado não atingiu plenamente as expectativas da companhia”, afirmaram.

No campo industrial, a CRV Industrial produziu 2.391.586 sacas de açúcar e 46.128.884 litros de etanol. A Rubi S.A., por sua vez, registrou produção de 2.467.767 sacas de açúcar e 55.756.424 litros de etanol. “O mix produtivo manteve-se alinhado ao planejamento inicial, sendo definido principalmente pelo cenário de mercado, sem alterações relevantes decorrentes de condicionantes operacionais ao longo do ciclo”, informaram as diretorias.

LEIA TAMBÉM: Usinas CRV Industrial e Rubi S.A. abrem inscrições para a Safra 2026 em Goiás

No ciclo 2025/26, “não houve necessidade de ajustes no mix açúcar–etanol, que se manteve conforme o planejamento inicial”. Para a safra 2026/27, no entanto, “o mix passa a ser um ponto-chave do planejamento, diante da maior sensibilidade aos preços de mercado, com potencial impacto direto sobre as margens e o resultado final das unidades”.

A cogeração de energia não teve participação relevante no resultado operacional. De acordo com a companhia, a safra  foi marcada por maior pressão de custos. “Houve aumento em torno de 10%, com os principais impactos vindos dos insumos agrícolas e da manutenção industrial”, informaram. Ainda assim, as unidades mantiveram níveis consistentes de eficiência, com resultados alinhados aos da safra anterior. Tanto no campo quanto na indústria, os principais indicadores permaneceram estáveis.

Entre os investimentos realizados durante a safra 2025/26, as usinas goianas fizeram aportes no campo, especialmente na ampliação da irrigação, aumentando área de cana irrigada, o que contribuiu para ganhos de TCH. Também foi realizada a eletrificação da bacia de vinhaça, com a substituição de motores a diesel por motores elétricos, resultando na redução do consumo de diesel e dos custos operacionais. “Esses aportes já começam a gerar reflexos positivos em produtividade, eficiência e na estrutura de custos”, afirmaram.

Safra 2026/27: base agrícola estável e postura defensiva

Do ponto de vista agrícola, as usinas devem iniciar a safra 2026/27 dentro do calendário habitual. “Os canaviais apresentam uma base produtiva estável, o que sustenta níveis consistentes de ATR e TCH. Embora a expectativa de pluviometria seja inferior à do ciclo passado, o cenário indica manutenção do desempenho agrícola, sem expansão de área ou necessidade de renovação relevante dos canaviais”, informaram as diretorias.

Para a safra 2026/27, a expectativa é de moagem conjunta de aproximadamente 3.400.000 toneladas de cana pelas unidades da CRV Industrial e da Rubi S.A., sustentada pelas condições agrícolas estáveis e pela manutenção do desempenho operacional.

Não estão previstos movimentos de expansão de área ou aumento relevante da capacidade industrial. “A renovação de canaviais poderá ser ajustada de forma seletiva, com atenção ao equilíbrio entre preservação de caixa e sustentabilidade produtiva”, afirmaram.

Diante de preços do açúcar pressionados, o planejamento para a próxima safra adota abordagem mais conservadora e defensiva. “As decisões de mix passam a priorizar a gestão de riscos e a previsibilidade de caixa, com maior foco em eficiência operacional”, destacaram.

O cenário internacional do açúcar apresenta maior nível de risco, enquanto o mercado doméstico de etanol oferece melhores oportunidades. Esse ambiente, segundo a companhia vai favorecer a adoção de um mix mais alcooleiro, com potencial para gerar margens superiores em relação ao açúcar na próxima temporada.

Os principais desafios da safra 2026/27, segundo as diretorias, estão associados à busca por ganhos técnicos, com foco no aumento da recuperação de ATR e do TCH no campo. “Do ponto de vista econômico, a prioridade é preservar margens e caixa em um ambiente de preços pressionados. Já no plano operacional, o objetivo é avançar na redução dos custos de manutenção e na elevação da eficiência dos ativos”, afirmaram à RPAnews.

Natália Cherubin para RPAnews

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