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Safras cheias mantêm viés baixista para o açúcar; etanol deve seguir sustentado na entressafra, aponta FG/A

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Centro-Sul ultrapassa 601 milhões de toneladas moídas em 25/26; produção de açúcar atinge 40,2 milhões de toneladas e biocombustível ganha suporte com estoques mais ajustados

O avanço das safras nos principais produtores globais mantém o viés baixista para os preços do açúcar, enquanto o etanol deve continuar sustentado no curto prazo com a redução da oferta típica da entressafra. É o que aponta o relatório da FG/A.

Segundo dados da UNICA citados pela consultoria, ao término da segunda quinzena de dezembro o Centro-Sul ultrapassou 601 milhões de toneladas processadas na safra 2025/26, redução de 2,3% frente ao ciclo anterior.

De acordo com a FG/A, embora a produtividade acumulada tenha recuado 4,2% na comparação anual em dezembro, encerrando o mês em 74,6 toneladas de cana por hectare, a expansão de cerca de 1,9% na área de corte amortizou o ritmo mais fraco de moagem — movimento que deve perdurar até o fim do ciclo. Com isso, a produção total de cana-de-açúcar deve atingir 610 milhões de toneladas, confirmando as projeções iniciais da consultoria.

Açúcar: produção estável, mas preços pressionados

A produção de açúcar alcançou 40,2 milhões de toneladas até o período analisado, superando em 0,9% o volume registrado no mesmo intervalo da safra passada.

Segundo o relatório, a maximização do mix açucareiro durante o pico da safra compensou a queda na qualidade da matéria-prima observada ao longo do ciclo, resultando em maior produção no acumulado. No entanto, considerando o maior direcionamento para o etanol na reta final e as perdas já consolidadas no ATR, a safra 25/26 deve ser encerrada com produção estável na comparação anual, apresentando avanço marginal de 500 mil toneladas.

No cenário de preços, o açúcar manteve trajetória de queda em janeiro. De acordo com a FG/A, o mercado segue pressionado pelo pano de fundo baixista, sustentado por estoques globais mais elevados e pela percepção de maior oferta no Brasil e na Índia.

Em reais, a pressão foi intensificada pela queda de 4,9% na taxa de câmbio no mês, resultando em recuo mensal de 5,7% nos contratos futuros em reais por tonelada.

Etanol: preços devem permanecer sustentados na entressafra

No mercado de etanol, janeiro manteve a trajetória de alta nas cotações, agora favorecida pelo início da entressafra, quando a oferta naturalmente diminui.

Segundo o indicador diário do CEPEA citado pela FG/A, o etanol hidratado registrou alta de 4,3% em janeiro, atingindo R$ 3,15 por litro. Com menor disponibilidade, a demanda ainda elevada pelo biocombustível encontrou estoques mais ajustados na ponta vendedora, resultando na sustentação dos preços no mercado doméstico.

Na primeira quinzena de janeiro, as vendas de hidratado recuaram 9,5% na comparação com o mesmo período da safra 24/25, refletindo a elevação da paridade do etanol em relação à gasolina, que já supera a marca de 70% nos principais estados consumidores.

Ainda assim, segundo o relatório, o pano de fundo do consumo permanece positivo. Dados da ANP divulgados até dezembro indicam que o mercado de combustíveis do Ciclo Otto acumula alta de 3,5% na safra.

Com a menor produção característica da entressafra e consumo estável, os estoques de etanol devem permanecer apertados, apesar do maior direcionamento do mix de produção para o biocombustível no último terço da safra 25/26.

Para os próximos meses, a expectativa da FG/A é de que os preços se mantenham estabilizados acima de R$ 3,15 por litro, com paridade média no estado de São Paulo ao redor de 71%, refletindo a menor disponibilidade de biocombustível no curto prazo e a elevação da base de demanda do Ciclo Otto.

Natália Cherubin para RPAnews

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