Moagem da Raízen soma 70,3 mi t na safra, recua 9,3%, e dívida líquida atinge R$ 55,3 bilhões
A Raízen registrou prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/26, período em que moeu 10,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, uma queda de 23,2% frente ao mesmo trimestre da safra anterior. No acumulado até dezembro, a moagem somou 70,3 milhões de toneladas, volume 9,3% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo passado. O resultado foi impactado, segundo a companhia, pelo reconhecimento de uma provisão contábil de R$ 11,1 bilhões. Os números foram divulgados nesta sexta-feira, dia 13.
A redução da moagem está associada às queimadas registradas na região Centro-Sul na safra anterior, à irregularidade no regime de chuvas e à ocorrência de geadas, que reduziram a disponibilidade de cana em aproximadamente 900 mil toneladas. Também influenciaram o desempenho a hibernação das usinas MB e Santa Elisa e a venda de 2 milhões de toneladas de cana no processo de otimização do portfólio.
Desconsiderando as unidades hibernadas, a moagem acumulada teria sido de 69 milhões de toneladas, frente a 72 milhões no ciclo anterior.
O ATR médio no acumulado da safra ficou em 134,5 quilos por tonelada, queda de 1,2% frente ao mesmo período da safra passada. No terceiro trimestre, o indicador atingiu 142,7 quilos por tonelada, alta de 4,3% na comparação anual.
A produtividade da cana própria foi de 72,5 toneladas por hectare nos nove meses, redução de 6,3% frente ao mesmo período do ciclo anterior. Em termos de ATR por hectare, a produtividade ficou em 9,7 toneladas, queda de 7,6%.
Mesmo nesse ambiente adverso, a companhia sustenta avanço operacional:
“Os resultados apresentados neste trimestre e ao longo do ano evidenciam que, do ponto de vista operacional, conseguimos demonstrar importantes avanços, mesmo em um ambiente macroeconômico adverso, com impactos negativos sobre a produtividade agrícola e, mais recentemente, sobre os preços de açúcar e etanol.”
Produção de açúcar e etanol recua, enquanto etanol 2G mais que dobra
No acumulado até dezembro, a produção de açúcar totalizou 4,821 milhões de toneladas, redução de 5% em relação ao mesmo período da safra passada. No terceiro trimestre, foram produzidas 671 mil toneladas, volume 17,9% inferior ao registrado no mesmo intervalo do ciclo anterior.
A produção de etanol somou 2,556 milhões de metros cúbicos nos nove meses, retração de 17,9% frente ao ciclo anterior. No trimestre, foram produzidos 503 mil metros cúbicos, queda de 19,3%.
Em contrapartida, o etanol de segunda geração alcançou 104,9 mil metros cúbicos no acumulado da safra, mais que o dobro do volume produzido no mesmo período da safra anterior. No terceiro trimestre, o E2G atingiu 39,2 mil metros cúbicos.
O mix da safra foi direcionado para açúcar, com 53% da cana destinada ao adoçante e 47% ao etanol, ante divisão de 50% para cada produto na safra passada.
Provisão contábil, aumento do custo financeiro e disciplina de capital pressionam resultado
O prejuízo de R$ 15,6 bilhões no trimestre foi influenciado pelo reconhecimento de uma provisão para não realização de ativos no valor de R$ 11,1 bilhões. Trata-se de ajuste decorrente da revisão das premissas utilizadas nos testes de recuperabilidade de determinados ativos, sem efeito caixa imediato.
“Tais provisões não possuem efeito caixa e poderão ser futuramente revertidas à medida que as circunstâncias macroeconômicas da indústria melhorem e a Companhia equacione sua estrutura de capital.”
No acumulado dos nove meses da safra, o prejuízo líquido soma R$ 19,8 bilhões, frente a lucro registrado no mesmo período do ciclo anterior.
O EBITDA ajustado atingiu R$ 8,39 bilhões nos nove meses, redução de 12,3% frente ao mesmo período da safra passada.
O custo da dívida bruta cresceu 82,9% no trimestre, refletindo o maior nível de endividamento e a elevação do CDI médio, que passou de 11% para 14,9%. O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 2,3 bilhões no trimestre e em R$ 7,2 bilhões no acumulado da safra.
A dívida bruta encerrou dezembro em R$ 70 bilhões. A dívida líquida atingiu R$ 55,3 bilhões, crescimento de 43,4% frente ao mesmo período do ano anterior. O indicador dívida líquida sobre EBITDA ajustado dos últimos doze meses subiu de 3,0 vezes para 5,3 vezes.
No período, a companhia captou R$ 29,1 bilhões em novas dívidas e amortizou R$ 16,4 bilhões em principal nos nove meses, além de R$ 4,2 bilhões em juros.
O fluxo de caixa operacional foi negativo em R$ 11,3 bilhões nos nove meses, ante geração positiva no ciclo anterior, refletindo principalmente variações de capital de giro. O fluxo de caixa livre para os acionistas ficou negativo em R$ 5,1 bilhões.
A companhia encerrou o trimestre com R$ 17,3 bilhões em caixa e aplicações financeiras, mais de 90% com liquidez imediata.
O CAPEX totalizou R$ 5,4 bilhões nos nove meses, redução de 23,6% frente ao mesmo período da safra anterior. Os investimentos em expansão foram reduzidos, enquanto os aportes recorrentes em plantio, tratos culturais e integridade industrial foram mantidos.
Os projetos de etanol de segunda geração seguem em andamento, com a planta Vale do Rosário cerca de 80% concluída e o projeto Gasa com aproximadamente 52% de execução.
“Evoluímos de forma consistente na execução do Plano de Transformação, cujo objetivo é garantir a sustentabilidade da Companhia e reduzir o seu endividamento no longo prazo.”
Natália Cherubin para RPAnews