Os preços do açúcar encerraram a quinta-feira em queda, pressionados pela valorização do dólar e pela perspectiva de superávit global da commodity nas próximas safras.
O contrato de açúcar bruto com vencimento em março fechou em queda de 0,1 centavo, ou 0,7%, a 14,07 centavos de dólar por libra-peso. Na semana passada, o mercado caiu para uma mínima de cinco anos, de 13,67 centavos de dólar por libra-peso. Por sua vez, o contrato mais ativo de açúcar branco perdeu 1,1%, para US$ 403,30 por tonelada.
A força da moeda norte-americana estimulou a liquidação de posições compradas nos contratos futuros de açúcar. O índice do dólar (DXY) avançou para o maior nível em três semanas e meia, exercendo pressão sobre a maior parte das commodities negociadas internacionalmente.
Na véspera, contudo, o açúcar em Nova York havia atingido o maior patamar em uma semana, sustentado por sinais de menor produção no Brasil. De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a produção de açúcar na região Centro-Sul na segunda quinzena de janeiro recuou 36% na comparação anual, totalizando apenas 5 mil toneladas no período.
Apesar da retração pontual, o volume acumulado de açúcar produzido no Centro-Sul na safra 2025/26, até o fim de janeiro, apresenta alta de 0,9% em relação ao mesmo intervalo do ciclo anterior, somando 40,24 milhões de toneladas. O direcionamento da matéria-prima para o açúcar também aumentou: a proporção de cana destinada à produção do adoçante subiu para 50,74% em 2025/26, ante 48,14% em 2024/25.
Superávit global segue no radar
Na semana passada, as cotações do açúcar aprofundaram o movimento de queda observado ao longo dos últimos cinco meses e atingiram o menor nível para o contrato mais próximo em mais de cinco anos, diante das preocupações com a manutenção de um superávit global.
Analistas da trading Czarnikow projetam um excedente mundial de 3,4 milhões de toneladas na safra 2026/27, após um superávit estimado em 8,3 milhões de toneladas em 2025/26.
A consultoria Green Pool Commodity Specialists estima superávit global de 2,74 milhões de toneladas em 2025/26 e de 156 mil toneladas em 2026/27. Já a StoneX projeta excedente de 2,9 milhões de toneladas na temporada 2025/26.
Produção da Índia avança
Na Índia, a Associação das Usinas de Açúcar (ISMA) informou em 19 de janeiro que a produção do país entre 1º de outubro e 15 de janeiro da safra 2025/26 cresceu 22% na comparação anual, alcançando 15,9 milhões de toneladas.
Em novembro, a entidade revisou para cima a estimativa de produção indiana em 2025/26, elevando-a de 30 milhões para 31 milhões de toneladas — avanço de 18,8% sobre o ciclo anterior — após o país registrar a temporada de monções mais intensa dos últimos cinco anos.
A ISMA também reduziu a estimativa de açúcar destinado à produção de etanol na Índia para 3,4 milhões de toneladas, ante previsão de 5 milhões divulgada em julho. A revisão pode abrir espaço para aumento das exportações indianas. A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar.
Com informações da Barchart