Home Últimas Notícias Comissão da CNA debate novo Zarc da cana, perspectivas eimpactos do acordo Mercosul-União Europeia
Últimas Notícias

Comissão da CNA debate novo Zarc da cana, perspectivas eimpactos do acordo Mercosul-União Europeia

Compartilhar

A Comissão Nacional de Cana-de-açúcar da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) se reuniu na terça-feira (24) para discutir o novo Zoneamento de Risco Climático (Zarc) da cultura, as perspectivas de mercado de açúcar e etanol para as próximas safras e o plano de ação do colegiado. Também foram analisados os impactos do acordo Mercosul-União Europeia no setor sucroenergético.

O presidente da Comissão, Nelson Perez, o vice-presidente, Edilson Maia, e a assessora técnica da CNA, Eduarda Lee, conduziram os debates. Segundo Nelson Perez, os temas tratados são estratégicos para o setor. “Esses assuntos são fundamentais para o setor sucroenergético, que deve enfrentar novos desafios esse ano. A comissão tem o papel de acompanhar esses movimentos e trabalhar para que os produtores possam produzir com tranquilidade”, afirmou.

O novo Zoneamento de Risco Climático da Cana-de-açúcar, publicado em janeiro de 2026, foi uma das principais pautas do encontro. O coordenador-geral de Risco Agropecuário do Ministério da Agricultura, Hugo Rodrigues, e o pesquisador da Embrapa, Santiago Cuadra, apresentaram esclarecimentos sobre a atualização e as mudanças implementadas.

De acordo com Santiago Cuadra, o novo estudo foi produzido em duas etapas: a primeira voltada à avaliação do risco de produção de cana-de-açúcar e a segunda à avaliação do risco de implantação. No mapeamento e na classificação do risco de produção foram considerados o rendimento normalizado, a chuva no período de colheita e o período mínimo de colheita/moagem.

O novo Zarc também passou a incluir a avaliação de municípios que até então tinham restrição para recebimento de financiamento público pelo Zoneamento Agroecológico da Cana (ZAE). Segundo Hugo Rodrigues, várias culturas passaram por atualização para aprimoramento e adaptação das regiões. “Agora está mais abrangente”, disse.

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático é uma das estratégias de mitigação de riscos na agricultura e recentemente passou a ser adotado como condição de elegibilidade no crédito rural.

Durante a reunião, o economista da Pecege Consultoria e Projetos, Raphael Delloiagono, apresentou projeções para a safra 2026/27 de cana-de-açúcar e as perspectivas de mercado de açúcar e etanol. A análise contemplou condições climáticas e produtividade, componentes de variação da moagem da cana e variação de preços do setor.

Segundo estimativas da consultoria, a produção de açúcar no novo ciclo será de 40,34 milhões de toneladas na região Centro-Sul. Já a produção de etanol obtido da cana está projetada em 26,53 bilhões de litros. Em relação aos preços do açúcar, do etanol e do Açúcar Total Recuperável (ATR), o economista alertou que as projeções indicam queda em comparação à safra 25/26.

“O mercado internacional enfrenta excesso de oferta, principalmente devido à recuperação da Índia. O aumento dos estoques tem pressionado o preço para baixo. No Brasil, há ainda o efeito da valorização da taxa de câmbio, o que fez o açúcar em reais por saca também cair. Mesmo no melhor cenário, o valor médio do ATR ainda ficará muito abaixo do registrado nas últimas safras”, afirmou.

Outro ponto tratado no encontro foram os desdobramentos do acordo Mercosul-União Europeia. A assessora de Relações Internacionais da CNA, Isadora Barbosa, destacou que foram 25 anos de negociação entre os dois blocos, resultando na assinatura em janeiro deste ano. “É o acordo mais amplo já negociado pelo Mercosul e que vai impactar 780 milhões de consumidores de ambos os lados”, disse.

Para o setor sucroenergético, o acordo prevê abertura de cotas específicas. No caso do etanol, a União Europeia concederá cota de 450 mil toneladas por ano com tarifa zero para uso industrial e 200 mil toneladas anuais com tarifa reduzida para etanol destinado a combustível. As condições tarifárias dentro dessas cotas passam a valer a partir da entrada em vigor do acordo.

Em relação ao açúcar, o bloco europeu abrirá cota de 180 mil toneladas por ano com tarifa zero, benefício que também começa a valer no primeiro dia de vigência. Apesar dos avanços, o acesso não representa abertura total do mercado europeu, já que está limitado a volumes específicos. “Só passa a valer quando o acordo for ratificado pela União Europeia e pelo Mercosul”, afirmou Isadora.

Ao final, o colegiado também abordou os temas prioritários a serem trabalhados ao longo do ano, como agroenergia, custos de produção e projetos de lei que impactam o setor.

Com informações da CNA

Compartilhar

Episódio 26: Manejo de plantas daninhas em cana: por que começar antes faz toda a diferença?

Episódio 25: Bioenergia sem limites: o futuro da cana além do açúcar e do etanol

Enviamos diariamente um boletim informativo com destaques do setor bioenergético 

Artigo Relacionado
Últimas Notícias

IAC e Better Beef firmam parceria para desenvolver batata-doce voltada à produção de etanol e biometano

Acordo prevê desenvolvimento de cultivares industriais com maior rendimento para biocombustíveis e...

Últimas Notícias

Estados Unidos mantêm cota mínima de importação de açúcar para 2027

USTR confirma volume mínimo previsto na OMC para açúcar bruto; Brasil é...

Últimas Notícias

Raízen nomeia Felix Faber como vice-presidente do conselho de administração

Executivo indicado pela Shell tem mais de 26 anos de experiência no...

Últimas Notícias

Petróleo fecha acima de US$ 100 pela primeira vez desde maio com tensões no Oriente Médio

Os preços do petróleo fecharam acima de US$ 100 nesta quinta-feira, 23,...