Alta do petróleo reforça competitividade do etanol e pode incentivar usinas a direcionarem mais cana para biocombustível, reduzindo oferta global de açúcar
Os preços do açúcar registraram alta nesta segunda-feira impulsionados pela forte valorização do petróleo, após Israel bombardear cerca de 30 depósitos de petróleo no Irã. O avanço do petróleo tende a favorecer os preços do etanol, o que pode incentivar usinas ao redor do mundo a direcionarem maior volume de cana para a produção de biocombustível, reduzindo a oferta global de açúcar.
Os preços futuros do açúcar bruto na bolsa ICE subiram 0,49 centavo de dólar, ou 3,5%, a 14,59 centavos de dólar por libra-peso, enquanto os futuros do açúcar branco subiram 1,4%, para US$ 420,50 a tonelada, depois de terem subido quase 3% anteriormente.
Apesar da reação recente, o mercado vinha pressionado nas últimas semanas diante das perspectivas de superávit global. Em 12 de fevereiro, os contratos mais próximos do açúcar chegaram ao menor nível em 5,25 anos, refletindo preocupações com a continuidade de excedentes na oferta mundial.
De acordo com analistas da trading Czarnikow, o mercado global pode registrar superávit de 3,4 milhões de toneladas na safra 2026/27, após um excedente estimado em 8,3 milhões de toneladas em 2025/26.
Outras consultorias também projetam saldo positivo na oferta global. A Green Pool Commodity Specialists estima um superávit de 2,74 milhões de toneladas na safra 2025/26 e de cerca de 156 mil toneladas em 2026/27. Já a StoneX avalia que o mercado mundial pode apresentar excedente de aproximadamente 2,9 milhões de toneladas em 2025/26.
Produção global deve crescer com avanço da Ásia
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta superávit global de 1,22 milhão de toneladas na safra 2025/26, após um déficit estimado em 3,46 milhões de toneladas em 2024/25.
Segundo a entidade, o aumento da oferta global será impulsionado principalmente pela expansão da produção em países asiáticos, como Índia, Tailândia e Paquistão.
A ISO estima que a produção mundial de açúcar crescerá 3% na comparação anual, alcançando cerca de 181,3 milhões de toneladas na safra 2025/26.
Sinais de menor produção no Brasil também contribuíram para dar sustentação aos preços no mercado internacional. Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) indicam que a produção de açúcar na região Centro-Sul na segunda quinzena de janeiro caiu 36% na comparação anual, somando apenas 5 mil toneladas no período.
Apesar da queda pontual, o volume acumulado da safra 2025/26 até janeiro apresenta leve crescimento. De acordo com a entidade, a produção total de açúcar no Centro-Sul atingiu 40,24 milhões de toneladas, avanço de 0,9% em relação ao mesmo período do ciclo anterior.
Com informações da Barchart