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Queima de 5 toneladas de bagaço de cana permite processamento de 1 tonelada de milho

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Cogen defende que integração energética entre cana e milho permite a produção de etanol com energia “praticamente gratuita”, além de reduzir custos operacionais

A demanda de energia no processamento de milho foi tema do 49º webinar da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen). Durante o evento, o diretor da Procknor Engenharia, Celso Procknor, apresentou uma análise sobre como a integração entre cana-de-açúcar e milho pode ampliar a eficiência energética das usinas e reduzir custos operacionais.

Segundo o especialista, a produção de etanol de milho apresenta rendimento elevado, com aproximadamente 0,42 metro cúbico por tonelada processada, mais de cinco vezes superior ao volume obtido por tonelada de cana. No entanto, o processamento por tonelada de milho exige maior consumo energético em relação à cana, tanto elétrico quanto térmico.

Assim, ele defende que há uma oportunidade na integração com a cogeração. De acordo com Procknor, cinco toneladas de cana processadas geram energia térmica suficiente para viabilizar o processamento de uma tonelada de milho dentro do mesmo sistema de cogeração.

Nesse modelo, o bagaço excedente, que muitas vezes seria vendido ou utilizado em ciclos de menor eficiência, passa a ser aproveitado em um novo ciclo termodinâmico mais eficiente. “O grande diferencial está no uso estratégico da energia já disponível na usina. O bagaço excedente pode viabilizar a produção de etanol de milho com energia praticamente ‘gratuita’, reduzindo o custo líquido do grão”, explica.

Outro ponto destacado é que, diferentemente de usinas dedicadas exclusivamente ao milho, que dependem de cavaco de eucalipto ou outras fontes externas de biomassa, o modelo integrado reduz a necessidade de compra de combustível adicional. Para o especialista, isso melhora a competitividade da operação e fortalece o conceito de economia circular dentro do setor bioenergético.

Além disso, ele afirma que o aumento da produção de etanol pode justificar investimentos em caldeiras de maior eficiência e ciclos termodinâmicos mais modernos, ampliando o aproveitamento energético e reduzindo custos variáveis de produção.

Para a Cogen, o debate reforça o papel estratégico da cogeração como elemento central na diversificação e na sustentabilidade do setor bioenergético. “A integração entre cana e milho surge como uma oportunidade concreta para elevar a eficiência industrial, ampliar a produção de biocombustíveis e fortalecer a segurança energética”, afirma o presidente-executivo da entidade, Newton Duarte.

O webinar foi realizado juntamente com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), a Associação Brasileira de Biogás e Biometano (ABiogás), a Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul) e a Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig Bioenergia).

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