Companhia prevê plantio de 6,2 mil hectares na safra 2026/27, com redução de custos, menor consumo de mudas e avanço da automação nas operações agrícolas
A Cerradinho Bioenergia deve manter uma taxa de renovação de canaviais de 10% na safra 2026/27, com o plantio de 6.212 hectares de cana própria, mantendo o percentual dentro do padrão observado nos últimos três anos. Ao mesmo tempo, a companhia vem avançando em eficiência operacional, com redução de custos de implantação, menor consumo de mudas e maior uso de tecnologias no plantio mecanizado, segundo informações de Matheus Uzelotto, diretor agrícola da empresa.
Segundo o executivo, a definição das áreas a serem renovadas segue critérios como produtividade (queda significativa de TCH ao longo das safras), idade do canavial, potencial produtivo, índice de falhas e stand de plantas, além do nível de infestação de plantas daninhas, pragas e doenças.
“Produtividade, idade do canavial, potencial produtivo, índice de falhas e stand de plantas, nível de infestação de plantas daninhas, pragas e doenças, viabilidade econômica da manutenção da soqueira e planejamento varietal são os principais critérios considerados”, explica.
A companhia mantém 100% do plantio mecanizado. Entre os principais indicadores de qualidade monitorados estão o consumo de mudas por hectare (12 t/ha), número de gemas viáveis por metro de sulco (12 gemas/metro), profundidade do sulco superior a 25 cm, altura de cobrição entre 5 e 8 cm, paralelismo entre 1,45 e 1,55 metro, além do consumo de insumos com variação inferior a 5% em relação às doses recomendadas e uniformidade de distribuição das mudas, com falhas inferiores a 50 cm.
“Monitoramos consumo de mudas por hectare, gemas viáveis por metro, profundidade, cobrição, paralelismo, consumo de insumos e uniformidade de distribuição”, afirma.
Tecnologia e gestão reduzem custo de formação
Nos últimos ciclos, a Cerradinho Bioenergia conseguiu reduzir o custo de formação do canavial em aproximadamente 17% entre as safras 2023/24 e 2025/26.
“Tivemos uma redução no custo de formação na ordem de 17% nas últimas safras (23/24 – 25/26), motivado principalmente pela estratégia antecipada de negociação de insumos, substituição de moléculas e oportunidade de preço”, afirma Uzelotto.
Segundo ele, outra alavanca importante foi a sinergia entre as áreas, especialmente entre CTT, preparo de solo e plantio, no qual a companhia otimizou a mesma estrutura de pessoas e equipamentos para as duas atividades, em janelas específicas de operação.
Atualmente, o custo médio de implantação dos canaviais da CerradinhoBio gira em torno de R$ 14.500 por hectare, sem considerar os custos com a muda. Os principais determinantes desse custo, de acordo com o diretor Agrícola, são o pacote de insumos (corretivos, fertilizantes e defensivos), a muda (consumo/dose e custo de oportunidade), a mecanização/operação (dimensionamento) e a estrutura administrativa e de manutenção, incluindo headcount, oficina e nível de terceirização. Segundo o executivo, produtividade e longevidade do canavial definem a eficiência final desse investimento ao longo do ciclo.
Consumo de mudas cai 22% com avanço do controle operacional
A companhia também avançou na redução do consumo de mudas, com queda de aproximadamente 22% na safra 2025/26 em relação a 2023/24, mantendo o padrão atual em 12 t/ha. “Tivemos uma redução significativa no consumo de mudas nas últimas safras, na ordem de 22% na safra 25/26 se comparado à safra 23/24”, destaca.
Segundo Uzelotto, esse resultado está ligado ao gerenciamento da qualidade com foco em gemas viáveis por metro, e não apenas em toneladas por hectare.
“Trabalhamos com gerenciamento da qualidade visando gemas viáveis por metro, e não só por t/ha”, afirma.
A empresa também padronizou variáveis críticas do processo, como velocidade, profundidade, cobrição e paralelismo, com definição de gatilhos para tratativas dos desvios.
Além disso, foram implantadas automações nas plantadoras para evitar excesso de distribuição e garantir aderência de dose de insumos, além de cuidados na implantação de viveiros, aquisição de mudas pré-brotadas de empresas certificadas e manejo fitossanitário rigoroso.
“Implantamos automação nas plantadoras para evitar excesso de distribuição e garantir aderência de dose de insumos”, diz.
Automação, precisão e telemetria e digitalização
Na avaliação da companhia, o que mais evoluiu no plantio de cana nos últimos anos foi a tecnologia das plantadoras, com máquinas automatizadas, controle eletrônico de distribuição de mudas e insumos, integração com agricultura de precisão, piloto automático, telemetria online e manejo agronômico.
“O maior impacto veio da combinação entre agricultura de precisão/sistematização, automação embarcada na plantadora (para dosar e depositar corretamente, com detecção de falhas) e telemetria/monitoramento pelo COA (para garantir rastreabilidade e correção rápida de desvios)”, afirma Uzelotto.
Segundo ele, esse conjunto melhora indicadores como paralelismo, profundidade e cobrição, gemas por metro, aderência de doses de insumos, consumo de mudas e falhas de plantio.
A qualidade do material propagativo é tratada como um dos fatores mais críticos para o estabelecimento do canavial. A empresa adota a compra de mudas pré-brotadas de empresas certificadas e realiza manejo fitossanitário dos viveiros instalados.
Atualmente, cerca de 600 mil mudas são produzidas internamente, sendo o restante adquirido de fornecedores certificados. O controle inclui inspeções fitossanitárias periódicas nos viveiros, controle rigoroso de pragas como broca e cigarrinha, monitoramento de doenças sistêmicas da cana e manutenção da pureza varietal por meio de rouguing.
Para os próximos anos, o diretor Agrícola acredita que os avanços devem estar ligados à automação e digitalização das operações agrícolas, com uso intensivo de agricultura de precisão, plantio com taxa variável de insumos e integração de sensores, telemetria e análise de dados em tempo real. “Os próximos avanços passam por automação e digitalização das operações agrícolas”, afirma.
Ele também diz acreditar no futuro plantio da cana semente. “Acreditamos sim que futuramente pode acontecer, mas é uma modalidade que ainda tem que ser muito estudada devido à alta variabilidade genética, baixa germinação, baixo vigor inicial, competição com plantas daninhas, sensibilidade a estresses ambientais e principalmente à falta de tecnologia consolidada de plantio”, conclui.
Natália Cherubin para RPAnews

