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Termos de negociação entre Raízen e credores já geram insatisfação

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Proposta inicial mantém aporte de R$ 4 bilhões e prevê conversão de 45% da dívida em ações

Representantes dos bancos, dos detentores de títulos emitidos no exterior (bonds) e da Raízen devem se reunir na semana que vem em Nova York para iniciar as negociações em torno de um plano de recuperação extrajudicial da companhia. O encontro está previsto para acontecer no dia 8.

Esses credores receberam, na terça-feira, 31, uma proposta inicial de onde partirão as negociações, apurou a Coluna do Broadcast.

Segundo fontes, o plano mantém o aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell e de R$ 500 milhões de Rubens Ometto, por meio de seu family office Aguassanta, e prevê a conversão de 45% das dívidas em ações. Os 55% restantes das obrigações teriam prazo alongado, para dez anos no caso da distribuidora e 13 anos no negócio das usinas.

A interpretação dos bancos é a de que isso dará maior poder aos atuais acionistas do que aos credores, que terão de certa forma colocado cerca de R$ 30 bilhões na Raízen por meio da conversão da dívida.

Os acionistas poderão indicar quatro membros ao conselho de administração, enquanto os credores, três. “É injusto, uma vez que os credores estão colocando sete vezes mais recursos do que os acionistas na empresa”, disse uma fonte entre os bancos. “Ninguém está feliz com essa proposta inicial”.

Os bancos também não se conformam com a ausência da Cosan na injeção de capital em Raízen e cobram da Shell que também aumente participação no aporte, dizem as fontes.

“Essa é a primeira proposta, nossa cobrança é trazer isso para mais perto do razoável. E o mais razoável é Cosan e Shell colocarem mais dinheiro”, disse uma pessoa próxima às negociações.

A Coluna do Broadcast apurou ainda que a raiz de algumas das discussões acaloradas que acontecem nos bastidores, entre presidentes dos bancos, Cosan e Shell, é a aprovação de crédito por algumas instituições para a Raízen em cima de um “acordo verbal de apoio” da Shell.

Procurados, a Shell e os credores não se pronunciaram.

Os bancos já vinham insistindo nas conversas preliminares feitas com a companhia e seus acionistas em uma capitalização maior, que estaria entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões, na apuração mais recente. Inicialmente, eles chegaram a exigir R$ 25 bilhões.

Agência Estado| Cynthia Decloedt e Altamiro Silva Junior

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