A produção de cana-de-açúcar no Centro-Sul continua concentrada em São Paulo, mas a baixa ocupação da cultura em estados como Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul indica espaço relevante para expansão. Esse movimento, no entanto, deve depender da rentabilidade frente a culturas concorrentes, como soja e milho.
Levantamento da Serasa Experian aponta que a área disponível para colheita na safra 2025/26 superou 8,9 milhões de hectares na região. São Paulo lidera com 57,5% desse total, enquanto Goiás (12,3%), Minas Gerais (12,2%) e Mato Grosso do Sul (8,9%) completam o grupo dos principais produtores, que juntos concentram 91% da área cultivada.
Apesar da relevância crescente fora do eixo paulista, a ocupação da cana nesses estados ainda é limitada. Em São Paulo, cerca de 36% da área com aptidão agrícola é destinada à cultura, enquanto em Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul esse porcentual varia entre 5% e 6%.
“Ainda existe espaço relevante para a expansão da cultura, especialmente com o aproveitamento de áreas com aptidão agrícola”, afirmou o gerente executivo de soluções agro da Serasa Experian, Dyego Santos.
Na prática, porém, a expansão tende a ser condicionada pela atratividade econômica relativa. Em regiões do Centro-Oeste e do Triângulo Mineiro, a cana disputa área com soja e milho, culturas que vêm apresentando elevada liquidez e ciclos mais curtos, o que pode limitar um avanço mais acelerado do cultivo de cana.
“Com os biocombustíveis voltando ao centro da agenda energética, historicamente impulsionados pela cana, a cultura volta a desempenhar um papel central, agora ao lado do avanço de lavouras como soja e milho”, acrescentou Santos.
O mapeamento também mostra que a produção mantém elevada concentração geográfica. Apenas 12 municípios, de um total de 842 produtores, concentram cerca de 10,4% da área de cana no Centro-Sul.
Ao mesmo tempo, a cultura está presente em aproximadamente 25% dos municípios da região, evidenciando ampla capilaridade. “Apesar da concentração em alguns polos de grande escala, 90% da área cultivada está espalhada por mais de 800 municípios”, disse Santos.
Segundo a empresa, o uso de geotecnologia e imagens de satélite amplia a precisão do monitoramento agrícola e ganha relevância em um ambiente de maior exigência regulatória e de gestão de riscos na cadeia. “Esse tipo de monitoramento amplia a capacidade de análise e tomada de decisão no agronegócio”, afirmou.
O cenário evidencia que, embora haja disponibilidade de área para crescimento da cana no Centro-Sul, o ritmo de expansão deve continuar atrelado às condições de mercado – em especial à relação de preços entre açúcar, etanol e grãos, além do avanço do etanol de milho, que também pressiona a dinâmica competitiva da cultura.
Agência Estado| Leandro Silveira

