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Produtores rurais gastarão R$ 7 bilhões por alta de diesel, diz economista

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Estudo da Farsul aponta que aumento de 23% no preço do combustível desde o início da guerra no Oriente Médio afeta diferentes culturas agrícolas, com maior impacto na soja

A alta do diesel já produz efeitos concretos sobre o agronegócio brasileiro, com um impacto adicional de R$ 7,2 bilhões ao setor. Um estudo elaborado pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) revela como o aumento no preço do combustível afeta diferentes culturas no campo.

De acordo com o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, durante entrevista à CNN, o diesel teve um aumento de 23% desde o início da guerra no Oriente Médio. “Se nós pegarmos o dia anterior ao início da guerra e trazermos até o último levantamento da NP na semana passada, é um aumento de 23%”, explicou.

O impacto varia conforme a cultura agrícola e está diretamente relacionado à intensidade de uso de diesel em cada lavoura. A cana-de-açúcar é a mais afetada em termos de valor por hectare, com custo adicional superior a R$ 350 por hectare, por ser uma atividade altamente mecanizada, que envolve colheita, transbordo e transporte constante.

O arroz também apresenta impacto elevado devido às múltiplas operações necessárias e, em muitos casos, ao sistema irrigado, que aumenta o consumo de combustível. Já culturas como soja e milho, especialmente na segunda safra, têm menor intensidade de uso de máquinas por hectare e ganham em escala, resultando em um aumento menor em valor absoluto por hectare.

Impacto total e perspectivas

Apesar do menor impacto relativo por hectare na soja, a cultura é uma das mais afetadas em termos absolutos devido à extensa área cultivada no país. “Ficam R$ 2 bilhões só na conta da soja”, destacou Antônio da Luz.

O economista alerta ainda para a possibilidade de agravamento da situação. Segundo ele, a Petrobras mantém uma defasagem entre o preço praticado no mercado interno e o preço internacional. “Se ela fosse corrigir esse preço, nós estamos falando de mais de R$ 2,22 é o que está defasado. E mais hoje, mais amanhã, ela vai ter que fazer esse ajuste”, afirmou.

Caso a Petrobras ajuste o preço do diesel para a paridade internacional, o impacto adicional seria de aproximadamente R$ 11,2 bilhões, além dos R$ 7,2 bilhões já computados.

Antônio da Luz ressalta que o estudo considera apenas a parte mecânica da produção na fazenda, sem incluir os custos de transporte do grão até armazéns, indústrias ou portos. “Se eu pegar toda essa cadeia, o impacto sem dúvida é bem maior e esta conta, lamentavelmente, uma boa parte dela vai parar lá na mesa do consumidor”, concluiu.

CNN

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