Primeira planta industrial do mundo, da CJ Selecta, busca certificação para gerar créditos de descarbonização e ampliar o uso energético da soja
A CJ Selecta avança no processo de certificação do RenovaBio com a primeira planta de etanol de soja em escala industrial do mundo, consolidando seu posicionamento como referência em soluções alinhadas à transição energética. A expectativa é concluir o processo regulatório e iniciar a geração de Créditos de Descarbonização (CBios) até meados de 2026.
O projeto foi iniciado em 2018 com o objetivo de agregar valor ao melaço de soja, um coproduto de baixa rentabilidade e com forte sazonalidade de demanda. Segundo a companhia, a iniciativa nasceu com uma visão estratégica de sustentabilidade e integração da cadeia produtiva.
“Desde o início, o projeto nasceu com uma visão estratégica de sustentabilidade, buscando fechar nossa cadeia produtiva e reduzir a pegada de carbono dos nossos produtos, já que o etanol é um insumo essencial para a produção do SPC, nosso principal produto”, afirma o CEO da companhia.
O desenvolvimento envolveu a criação de uma rota tecnológica inédita, baseada na conversão de oligossacarídeos da soja — como rafinose e estaquiose — em etanol. Sem referências anteriores em escala industrial, a empresa estruturou parcerias técnicas e conduziu estudos laboratoriais e em escala piloto para validar a viabilidade do processo.
“Foi um processo longo, baseado em ciência e validação técnica, que nos deu segurança para avançar com um modelo produtivo inédito no mundo”, acrescenta.
Com a definição do balanço de massa, a companhia estimou capacidade teórica de produção de até 10 milhões de litros de etanol hidratado por ano. Desse volume, cerca de 3 milhões de litros são destinados ao consumo interno na produção de concentrado proteico de soja (SPC), enquanto aproximadamente 7 milhões de litros têm potencial de comercialização para o mercado de combustíveis nas regiões de Araguari e Uberlândia.
As obras da planta tiveram início em 2020 e, após dez meses de instalação e três meses de tramitação junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a produção começou em março de 2021.
O avanço mais recente está ligado à tentativa de inclusão da rota do etanol de soja no RenovaBio. Por se tratar de uma tecnologia inédita, o processo de validação envolve diferentes órgãos, incluindo a Embrapa.
De acordo com a companhia, esse trabalho conjunto é fundamental para assegurar o correto reconhecimento do potencial de descarbonização da nova rota.
“Esse trabalho conjunto é fundamental para assegurar que a rota do etanol de soja seja corretamente reconhecida pelo seu real potencial de descarbonização”, afirma.
Os resultados da RenovaCalc indicam que o etanol de soja apresenta emissões 47,05% menores que as da gasolina, com intensidade de 46,28 gCO₂eq/MJ, frente a 87,40 gCO₂eq/MJ do combustível fóssil.
Com base nesses números, a companhia estima uma redução anual entre 7 mil e 8 mil toneladas de CO₂ equivalente, com potencial de geração de CBios nesse mesmo volume.
“Estamos na fase final do processo de certificação e aguardamos a atualização regulatória que inclui oficialmente a rota da soja. A expectativa é iniciar a geração e comercialização dos CBios até meados de 2026”, projeta.
Certificação e nova rota travam avanço regulatório
A companhia destaca que o avanço da iniciativa depende da atualização regulatória para inclusão formal da rota no RenovaBio, etapa considerada essencial para viabilizar a geração dos créditos.
Paralelamente, a empresa vem desenvolvendo estudos sobre a pegada de carbono da soja e colaborando com instituições técnicas na construção de uma nova rota de biocombustível.
“A mensuração da pegada de carbono da soja e a colaboração com instituições de referência refletem o compromisso com o avanço científico e com o desenvolvimento de soluções sustentáveis para a matriz energética brasileira”, afirma.
A expectativa é que a inclusão da nova rota no programa represente um avanço no reconhecimento dos ganhos ambientais e no fortalecimento dos biocombustíveis.
A iniciativa conta com apoio da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, que avalia o projeto como um passo relevante para a agregação de valor e diversificação da cadeia da soja no Brasil.
Para a entidade, o projeto se insere em um contexto de crescimento do setor e reforça o papel estratégico da soja na matriz energética.
“A iniciativa se insere em um contexto de crescimento do setor, com elevada produção e processamento, e evidencia um modelo industrial eficiente, alinhado à sustentabilidade, ao ampliar a participação da soja na matriz energética e consolidar o protagonismo do Brasil na oferta de produtos com maior valor agregado”, afirma o diretor da entidade.

