Produção de biocombustíveis avança 51,3% com aumento da moagem e da demanda por etanol, aponta FGVAgro
A produção agroindustrial brasileira cresceu 1,8% em abril de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), divulgado pelo FGVAgro. O resultado foi impulsionado pelos segmentos de Produtos Alimentícios e Bebidas, que avançaram 2,4%, e de Produtos Não Alimentícios, com alta de 1%. Dentro desses grupos, no entanto, apenas os setores de Produtos Alimentícios e Biocombustíveis registraram crescimento no período.
Os Produtos Alimentícios apresentaram expansão de 3,2%, enquanto os Biocombustíveis avançaram 51,3% na comparação anual. Os demais setores analisados registraram retração em abril.
Biocombustíveis lideram expansão
Segundo o FGVAgro, o crescimento dos biocombustíveis refletiu o aumento da moagem e da qualidade da cana-de-açúcar, além da maior demanda por etanol.
O estudo destaca que a competitividade do biocombustível frente à gasolina contribuiu para o avanço da produção do setor ao longo do período.
O desempenho dos biocombustíveis foi determinante para que o segmento de Produtos Não Alimentícios encerrasse abril com crescimento de 1%. Nos demais setores do grupo, os resultados foram negativos.
Os Insumos Agropecuários registraram retração de 13,3%, acumulando o sexto mês consecutivo de queda na comparação anual. Segundo o levantamento, o resultado foi influenciado pela redução da produção de defensivos agrícolas, tratores e máquinas agrícolas, intermediários para fertilizantes, além de adubos e fertilizantes.
Também apresentaram queda os segmentos de Produtos Têxteis (-3,9%), Produtos Florestais (-2,6%) e Fumo (-4,2%).
Açúcar, trigo e café impulsionam alimentos
No segmento de Produtos Alimentícios e Bebidas, o crescimento de 2,4% foi sustentado exclusivamente pelo setor de alimentos, que avançou 3,2% em relação a abril de 2025. Já o setor de bebidas registrou retração de 1,8%.
Entre os alimentos, o destaque ficou para os produtos de origem vegetal, cuja produção cresceu 7,3%. De acordo com o FGVAgro, o resultado foi impulsionado principalmente pelo aumento da produção de açúcar, trigo e café.
Os alimentos de origem animal avançaram 1%, favorecidos pelo maior abate de aves e suínos. Por outro lado, a menor produção de pescados, laticínios e bovinos limitou um crescimento mais intenso do segmento.
Já no setor de bebidas, a retração foi generalizada. A produção de bebidas alcoólicas caiu 3,1%, enquanto as bebidas não alcoólicas registraram queda de 0,5%.
Setor acumula alta de 0,7% no ano
No acumulado de 2026 até abril, a agroindústria brasileira registra crescimento de 0,7%, desempenho superior ao observado pela indústria de transformação, que avançou 0,3% no mesmo período.
O estudo aponta que o setor tem enfrentado um cenário de desafios ao longo do ano. Entre eles estão os impactos do conflito no Irã sobre exportações para a região e sobre custos de produção, especialmente combustíveis e fretes.
O FGVAgro também destaca outros fatores que podem influenciar o desempenho da agroindústria nos próximos meses, como o esgotamento da cota chinesa de importação de carne bovina brasileira, a retirada do Brasil da lista de países habilitados a exportar produtos de origem animal para a União Europeia a partir de setembro e a nova rodada de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos como calçados e pescados.
Natália Cherubin para RPAnews



