Os preços do petróleo recuaram em US$ 4 por barril, atingindo o menor nível em três meses nesta segunda-feira, 15, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país e o Irã assinaram um memorando de entendimento com o objetivo de pôr fim à guerra e reabrir o Estreito de Ormuz.
Os futuros do petróleo Brent fecharam em queda de US$ 4,16, ou 4,76%, a US$83,17 por barril, e os do West Texas Intermediate (WTI) dos EUA encerraram a US$ 80,75, com baixa de US$ 4,13, ou 4,87%.
Ambos os contratos perderam grande parte do prêmio de risco de guerra que haviam acumulado nos últimos meses, com os futuros do Brent e do petróleo dos EUA fechando nos níveis mais baixos desde 4 de março.
O memorando de entendimento foi assinado por Trump, pelo vice-presidente JD Vance e pelo presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, informou uma autoridade norte-americana.
A cerimônia oficial de assinatura do acordo está marcada para sexta-feira, 19, em Genebra.
A agência de notícias iraniana Mehr informou que o rascunho do acordo previa a reabertura do Estreito de Ormuz em até 30 dias, sob os termos estabelecidos pelo Irã.
“Com uma avalanche de oferta de petróleo muito provavelmente a caminho, a onda de vendas parece justificada”, disse o vice-presidente sênior de operações da Bok Financial, Dennis Kissler.
O Citi reduziu na segunda-feira suas previsões médias para o petróleo Brent para US$ 75 e US$ 70 por barril para o terceiro e o quarto trimestres de 2026, respectivamente, citando expectativas de que os fluxos comerciais no Estreito de Ormuz serão retomados e normalizados.
O mundo perdeu milhões de barris de petróleo e gás desde que a guerra fechou o Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento para um quinto dos suprimentos mundiais de petróleo e gás natural liquefeito, por mais de três meses. Não está claro com que rapidez esses barris retornarão ao mercado assim que a hidrovia for reaberta.
“Será difícil colocar a cadeia de abastecimento de navios em funcionamento e fazer com que as operações sejam retomadas sem problemas no Golfo Árabe. E alguns armadores hesitarão em navegar em direção ao Golfo Árabe até que tenhamos notícias das seguradoras”, disse o chefe de pesquisa da Sparta Commodities, Neil Crosby.
Os investidores também observam com cautela a rapidez com que os produtores do Oriente Médio poderão retomar a produção e as exportações de petróleo após os danos causados pela guerra, e se mais navios entrarão na região.
Mais de 14 milhões de barris por dia de produção de petróleo estão paralisados, ou cerca de 14% da demanda mundial, de acordo com o relatório mais recente da Agência Internacional de Energia. O retorno total aos níveis de produção e refino pré-guerra provavelmente levará semanas, meses ou até anos, afirmam autoridades do setor.
Níveis mais baixos de estoques de petróleo, um processo mais lento para reiniciar a produção e a reposição dos estoques estratégicos de petróleo devem sustentar os preços do petróleo no longo prazo, disse o analista do UBS, Giovanni Staunovo.
Os estoques nas maiores economias do mundo estão caminhando para seus níveis mais baixos desde pelo menos 2003, reduzidos a um ritmo recorde devido à perda da produção no Golfo, de acordo com a Administração de Informação Energética dos EUA.
Reuters| Georgina McCartney, Seher Dareen, Anushree Mukherjee, Florence Tan e Emily Chow
Com reportagem adicional de Stephanie Kelly



