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Coprodutos podem representar até 25% da receita das operações de etanol de milho, dizem executivos

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Em entrevista ao DaCanaCast, da RPAnews, representantes da Cerradinho Bio e da São Martinho destacaram o papel crescente do DDG, DDGS e óleo de milho na sustentabilidade econômica das usinas

Os coprodutos gerados na produção de etanol de milho vêm ganhando espaço na composição das receitas das usinas brasileiras. Segundo Renato Pretti, CEO da Cerradinho Bio, eles podem representar entre 20% e 25% da receita líquida das operações, reforçando a competitividade dos projetos em um mercado cada vez mais dinâmico.

A avaliação foi feita durante o mais recente episódio do DaCanaCast, podcast da RPAnews Cana & Indústria, que reuniu Pretti e Helder Gosling, diretor comercial e de logística da São Martinho, para discutir a evolução do etanol de milho no Brasil, os desafios do setor e as perspectivas para os próximos anos.

A São Martinho opera uma planta integrada de etanol de cana e milho na unidade Boa Vista, em Quirinópolis (GO). Atualmente, a unidade processa cerca de 500 mil toneladas de milho por safra e produz aproximadamente 220 mil metros cúbicos de etanol de milho. A companhia também está investindo na ampliação da operação, que deverá elevar a moagem para mais de 1 milhão de toneladas de milho e a produção para cerca de 450 mil metros cúbicos de etanol a partir de 2027.

Já a Cerradinho Bio mantém operações em Chapadão do Céu (GO) e Maracaju (MS). Em Goiás, a unidade de etanol de milho está em processo de expansão e deverá atingir capacidade próxima de 1,2 milhão de toneladas anuais de processamento. Em Maracaju, a planta opera com capacidade de cerca de 660 mil toneladas por ano e foi projetada para futuras ampliações.

De acordo com Pretti, a participação dos coprodutos tornou-se um componente relevante da receita das plantas de etanol de milho. Entre os principais produtos estão o DDG, o DDGS e o óleo de milho, amplamente utilizados pela indústria de nutrição animal e outros segmentos.

“Entre 20% e 25% da receita líquida da operação de etanol de milho vem de coprodutos”, afirmou o executivo durante a entrevista.

Viabilidade dos projetos

Mais do que uma fonte adicional de receita, os coprodutos passaram a ocupar papel estratégico na estrutura econômica das usinas de etanol de milho.

Durante o DaCanaCast, Helder Gosling destacou que a competitividade das operações não pode ser analisada apenas sob a ótica do combustível produzido, mas também pela capacidade de geração de valor a partir de produtos como DDG, DDGS e óleo de milho.

“O etanol especificamente, isoladamente, eu creio que ele não seria suficiente para dar essa longevidade de uma planta do mercado de etanol de milho”, afirmou o executivo.

Na avaliação dos entrevistados, a combinação entre combustível e coprodutos contribui para diversificar as fontes de receita e ampliar a competitividade dos empreendimentos.

Usinas ampliam atuação além dos combustíveis

Outro ponto destacado durante a conversa foi a transformação do perfil das empresas que investem em etanol de milho.

Segundo Renato Pretti, essas operações passaram a exigir competências que vão além da produção de combustível, envolvendo atividades como originação de grãos, comercialização de coprodutos, gestão de biomassa e atendimento ao mercado de nutrição animal.

“Para operar uma planta de etanol de milho, a gente precisa de competências adicionais. A competência de originação do grão, a competência de comercialização de coprodutos, mercado de nutrição animal”, afirmou.

Gosling acrescentou que a venda de DDG e DDGS exige acompanhamento técnico próximo aos clientes. “É uma venda técnica, efetivamente, que você tem que ir até o teu cliente final e capturar a confiança dele”, disse.

Na avaliação dos executivos, o avanço do etanol de milho vem aproximando o setor sucroenergético de segmentos como nutrição animal, logística de grãos e biomassa, ampliando as oportunidades de agregação de valor dentro das operações.

Pecuária mais intensiva amplia demanda

Os participantes do DaCanaCast também relacionaram o crescimento dos coprodutos à transformação da pecuária brasileira.

Segundo Gosling, a migração gradual da pecuária extensiva para sistemas mais intensivos tende a ampliar a demanda por ingredientes utilizados na formulação de rações, criando espaço para a expansão do DDG e do DDGS. O executivo observou que a profissionalização da produção animal vem aumentando o consumo de insumos de maior valor nutricional.

Na avaliação dos entrevistados, o Brasil reúne condições favoráveis para ampliar esse mercado, tanto pelo tamanho do rebanho quanto pelo avanço da tecnificação da atividade pecuária.

Além do mercado doméstico, os executivos apontaram potencial de crescimento nas exportações dos coprodutos do etanol de milho.

Durante a entrevista, Gosling citou países asiáticos entre os mercados que vêm demonstrando interesse crescente pelos produtos brasileiros destinados à nutrição animal. China e Vietnã foram mencionados como exemplos de destinos com potencial para ampliar as compras nos próximos anos.

Segundo os executivos, a expansão dos mercados internacionais pode criar novas oportunidades para os coprodutos brasileiros à medida que a produção nacional de etanol de milho continua crescendo.

Óleo de milho ganha relevância

Outro produto citado pelos executivos foi o óleo de milho. Segundo eles, o item possui valor agregado superior ao DDG e ao DDGS e tem papel relevante na composição das receitas das operações.

A demanda da indústria de biodiesel foi apontada como um dos fatores que contribuem para a valorização do produto, ampliando as alternativas de comercialização para as usinas.

Para os entrevistados, a combinação entre etanol, DDG, DDGS e óleo de milho reforça a lógica de aproveitamento integral da matéria-prima e amplia a competitividade dos projetos.

Episódio completo

Atualmente, tanto a São Martinho quanto a Cerradinho Bio estão entre os grupos que mais investem na expansão da produção de etanol de milho no país. Os planos de crescimento das empresas, os desafios do setor, as perspectivas para os coprodutos e o papel do Brasil na agenda global da bioenergia foram alguns dos temas debatidos durante o episódio.

A entrevista completa com Renato Pretti e Helder Gosling está disponível no mais recente episódio do DaCanaCast, podcast da RPAnews Cana & Indústria, no YouTube e nas principais plataformas de áudio.

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Episódio 23: O etanol de milho pode mudar o futuro das usinas brasileiras?

Episódio 22: Como as tecnologias e a IA impactam as operações agrícolas?

Enviamos diariamente um boletim informativo com destaques do setor bioenergético 

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