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Real valorizado e monções fracas na Índia sustentam alta do açúcar no mercado internacional

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Açúcar bruto encerrou a sessão em 15,22 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o açúcar branco fechou em US$ 486,10 por tonelada

Os contratos futuros do açúcar fecharam em alta nesta segunda-feira (6), sustentados principalmente pela valorização do real frente ao dólar, que reduz o incentivo às exportações brasileiras, e pelas preocupações com a safra indiana diante do fraco desempenho das monções. Em Nova York, o contrato outubro do açúcar bruto avançou 2,49%, encerrando a 15,22 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o contrato agosto do açúcar branco subiu 0,62%, para US$ 486,10 por tonelada.

De acordo com análise da Barchart, a recuperação do real para o maior nível em duas semanas frente ao dólar reduziu a competitividade das exportações brasileiras de açúcar, fator que contribuiu para a valorização dos contratos internacionais.

Nos últimos dias, os preços do açúcar vêm acumulando recuperação. O contrato negociado em Nova York atingiu, na semana passada, o maior nível em cerca de um mês e três semanas, enquanto o açúcar branco em Londres alcançou a máxima dos contratos mais próximos em aproximadamente nove meses e meio.

Outro fator de sustentação continua sendo a preocupação com o clima na Índia. Segundo a análise, o Departamento Meteorológico da Índia informou que o volume acumulado de chuvas das monções estava 20% abaixo da média até 6 de julho. Além disso, o Ministério de Ciências da Terra do país alertou que esta poderá ser a monção mais fraca dos últimos 11 anos, elevando os riscos de perdas na produtividade da cana-de-açúcar do segundo maior produtor mundial.

Brasil mantém foco maior na produção de etanol

A análise também destaca que a menor produção de açúcar no Centro-Sul brasileiro reforça o cenário de suporte aos preços.

Dados da UNICA mostram que, até maio da safra 2026/27, a produção de açúcar na região somou 6,838 milhões de toneladas, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior. O percentual de cana destinado à fabricação de açúcar caiu para 41,42%, ante 50,09% um ano antes, enquanto a parcela direcionada à produção de etanol aumentou para 58,38%.

A Barchart também lembra que a consultoria Czarnikow revisou, em junho, seu balanço global de açúcar para a temporada 2026/27, passando de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas, diante da expectativa de que usinas brasileiras priorizem a produção de etanol em resposta aos preços mais elevados do petróleo.

El Niño segue no radar

As preocupações climáticas permanecem no radar do mercado. Segundo a análise, a confirmação da formação do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico aumenta o risco de redução das chuvas em importantes regiões produtoras de açúcar, como Brasil, Índia e Tailândia.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima uma probabilidade de 67% de ocorrência de um “Super El Niño” neste ano, enquanto autoridades indianas reduziram novamente a previsão de chuvas para a temporada de monções entre junho e setembro para 90% da média histórica.

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