Análise divulgada em setembro também corta estimativas para produção de açúcar e etanol diante de menor moagem e pressão sobre o ATR
A moagem de cana-de-açúcar na safra 2026/27 do Centro-Sul deve alcançar aproximadamente 626 milhões de toneladas, cerca de 6 milhões de toneladas abaixo da estimativa anterior da XP Research. A revisão reflete o desempenho mais fraco em agosto e as dificuldades operacionais provocadas pelas condições climáticas observadas em setembro.
Em agosto, o volume processado ficou cerca de 2 milhões de toneladas abaixo da curva esperada pela instituição. Já na primeira metade de setembro, o clima e as previsões disponíveis naquele momento indicavam um ambiente mais desafiador para o avanço da colheita e da moagem.
A XP considera que uma moagem mais forte em dezembro poderia permitir às usinas recuperar parte da cana que deixou de ser colhida entre junho e agosto. A instituição, no entanto, avalia como baixa a probabilidade desse cenário e, por isso, não o incorporou à sua projeção-base.
Mesmo após o corte na estimativa, a XP ainda projeta crescimento de 2,4% na moagem em relação à temporada anterior, passando de 611,2 milhões de toneladas em 2025/26 para 625,9 milhões de toneladas em 2026/27. Entre setembro e novembro, a expectativa é de avanço de 3,2% na comparação anual.
A qualidade da matéria-prima também segue pressionada. O ATR médio é projetado em 136,5 quilos por tonelada, queda de 0,9% frente aos 137,8 kg/t da safra anterior. Na avaliação da XP, esse cenário reforça a expectativa de uma temporada abaixo das projeções consideradas no início da safra.
Produção de açúcar é reduzida para 38,4 milhões de toneladas
A deterioração das perspectivas para a cana também levou a XP a reduzir em aproximadamente 700 mil toneladas sua estimativa de produção de açúcar no Centro-Sul, para 38,4 milhões de toneladas.
A revisão reflete tanto a perspectiva de menor moagem quanto uma premissa de ATR 1,2 kg/t inferior à projeção anterior da instituição. Apesar disso, a XP continua esperando um mix elevado para o açúcar no restante da temporada, diante de uma paridade considerada fortemente favorável à produção do adoçante.
No modelo da XP, a produção de açúcar deverá ficar 4,9% abaixo das 40,4 milhões de toneladas de 2025/26. O mix açucareiro é estimado em 47,2%, ante 50,4% na temporada anterior.
Na avaliação da XP, embora os preços internacionais tenham passado por um período de consolidação após a forte valorização observada em agosto, o balanço global permanece mais apertado. A instituição considera que o mercado ainda não havia incorporado integralmente uma produção brasileira mais próxima de 38 milhões de toneladas, diante da menor moagem e do ATR mais baixo.
A análise aponta ainda que uma produção menor no Brasil, combinada à oferta mais fraca em outras origens, pode dar sustentação às cotações. Para a XP, o Brasil pode não conseguir compensar integralmente os déficits de produção que vêm surgindo na Índia e na Europa.
Estimativa de produção de etanol também é cortada
Para o etanol, a XP reduziu em aproximadamente 1,2 bilhão de litros sua projeção de produção total em relação à estimativa anterior. Desse ajuste, cerca de 800 milhões de litros correspondem ao etanol de cana e 400 milhões de litros ao etanol de milho.
Segundo a instituição, a revisão reflete principalmente a produção mais fraca de etanol hidratado de milho e a perspectiva de menor moagem de cana-de-açúcar.
Ao mesmo tempo, a XP identificou sinais de melhora na demanda. Na data do relatório, a relação de competitividade do etanol na bomba havia se recuperado para perto de 62%, enquanto os estoques estavam em queda. Para a instituição, os dois movimentos indicavam uma demanda mais forte pelo biocombustível.
Apesar da revisão para baixo em relação à estimativa anterior, o modelo da XP ainda projeta produção total de 36,2 milhões de metros cúbicos de etanol no Centro-Sul em 2026/27, crescimento de 7,5% sobre os 33,7 milhões de metros cúbicos da safra anterior. Desse total, 26,5 milhões de metros cúbicos correspondem ao etanol de cana e 9,7 milhões de metros cúbicos ao produto de milho.
A XP também manteve, no relatório de setembro, a expectativa de recuperação dos preços do etanol, embora tenha avaliado que uma parcela relevante da valorização anteriormente esperada já havia ocorrido.
Natália Cherubin, com informações da XP Research


