Os preços do açúcar encerraram a terça-feira com desempenho misto, consolidando-se acima das mínimas de 5,25 anos registradas na semana passada, após um ciclo de cinco meses consecutivos de queda. Operadores internacionais apontam leve recomposição de posições vendidas (short covering), em meio a sinais de que o recente recuo das cotações começou a estimular a demanda física.
O contrato de açúcar bruto de março em Nova Iorque encerrou a terça-feira em alta de 0,58%, a 13,58 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o contrato de maio de açúcar branco negociado na ICE, fechou em queda de 0,87%, US$404,40.
Exportadores asiáticos relataram aumento nas compras diante do movimento de recomposição de estoques após o período do Ramadã. Ainda assim, o mercado segue pressionado pelas perspectivas de excedentes globais nas próximas safras.
Analistas da Czarnikow projetam superávit global de 3,4 milhões de toneladas (MMT) em 2026/27, após estimativa de excedente de 8,3 MMT em 2025/26. A Green Pool Commodity Specialists estima superávit de 2,74 MMT em 2025/26 e de 156 mil toneladas no ciclo seguinte. Já a StoneX projeta excedente global de 2,9 MMT na safra 2025/26.
No Brasil, a Unica informou que a produção acumulada de açúcar do Centro-Sul na safra 2025/26, até meados de janeiro, atingiu 40,236 milhões de toneladas, avanço de 0,9% na comparação anual. No mesmo período, a participação da cana destinada à produção de açúcar subiu para 50,78%, ante 48,15% na safra anterior.
Na Índia, a Associação Indiana de Usinas de Açúcar (ISMA) informou que a produção entre 1º de outubro e 15 de janeiro somou 15,9 milhões de toneladas, crescimento de 22% na comparação anual. Em novembro, a entidade elevou sua estimativa para a produção total de 2025/26 para 31 milhões de toneladas, ante previsão anterior de 30 milhões, refletindo o desempenho mais robusto das monções nos últimos cinco anos.
A ISMA também reduziu a projeção de açúcar destinado à produção de etanol para 3,4 milhões de toneladas, abaixo dos 5 milhões estimados anteriormente, o que pode ampliar a disponibilidade do produto para exportação. A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar.
Com informações da Barchart