O mercado paulista de açúcar cristal branco voltou a registrar queda de preços pela terceira semana consecutiva, refletindo mudanças no perfil de qualidade dos lotes comercializados no início de 2026. Entre 12 e 19 de janeiro, o Indicador CEPEA/ESALQ – São Paulo (cor Icumsa de 130 a 180) ficou em R$ 105,94 por saca de 50 kg, recuo de 1,44% em relação ao período anterior.
De acordo com o Cepea, a pressão observada nas cotações está associada principalmente à maior participação de açúcar cristal branco com coloração mais elevada (até 180 Icumsa) nas negociações. Segundo os pesquisadores, o movimento não indica enfraquecimento da demanda, mas sim uma alteração no padrão de qualidade dos volumes ofertados ao mercado.
Esse comportamento já vinha sendo observado nas semanas anteriores, à medida que as atividades industriais foram retomadas após o recesso de fim de ano, favorecendo a normalização dos fluxos de oferta e demanda. Entre 5 e 9 de janeiro, o Indicador CEPEA/ESALQ – São Paulo havia registrado média de R$ 107,49 por saca, queda de 2,28% frente à semana anterior, também influenciada pelo aumento da disponibilidade de açúcar com coloração até 180 Icumsa. Naquele momento, o Cepea já apontava que o açúcar de melhor qualidade, com até 150 Icumsa, continuava sendo negociado a patamares relativamente mais elevados.
No cenário internacional, análises do Cepea indicam que as expectativas de superávit global acima de 2 milhões de toneladas na safra 2025/26 seguiram pressionando os contratos futuros de açúcar na Bolsa de Nova York. Por outro lado, as primeiras estimativas de redução de 3,9% na produção brasileira de açúcar na safra 2026/27 atuaram como fator de contenção para quedas mais acentuadas nas cotações.