Os preços do açúcar fecharam em forte alta nas bolsas internacionais nesta quarta-feira, 9, impulsionados pela valorização do petróleo. Segundo a Barchart, na ICE de Nova York, o contrato do açúcar bruto para outubro avançou 1,66%, cotado a 19,63 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para outubro subiu 2,99%, para US$ 541,40 por tonelada.
O movimento acompanhou a alta de cerca de 3% do petróleo, que atingiu o maior nível em três meses e meio. Preços mais elevados da commodity tendem a dar suporte ao etanol e podem estimular as usinas a direcionarem uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção do biocombustível, reduzindo a disponibilidade de açúcar.
Os preços também receberam suporte das perspectivas para a produção da Tailândia. A Thai Sugar Millers Corp projeta que a produção de açúcar do país na safra 2026/27 pode recuar 17% em relação ao ciclo anterior, para 10 milhões de toneladas. A Tailândia é o segundo maior exportador mundial da commodity.
O cenário de oferta também vem sendo destacado pela Archer Consulting. Em comentário recente, Arnaldo Luiz Corrêa, diretor da consultoria, apontou o clima como um dos fatores de sustentação do mercado, diante das expectativas de redução da safra tailandesa e dos impactos da seca e do calor sobre a produção europeia.
No Centro-Sul brasileiro, Corrêa destacou ainda a possibilidade de chuvas em setembro afetarem o ritmo da colheita. Segundo ele, algumas usinas já trabalham com uma estimativa de cerca de 37 milhões de toneladas de cana que poderiam permanecer para o próximo ano.
Por outro lado, o mercado também acompanha as perspectivas para a Índia. Na semana passada, o governo indiano reduziu de 400 para 200 toneladas o limite de estoques mantidos pelos comerciantes de açúcar, medida que entra em vigor em 15 de setembro e segue até 20 de novembro.
A iniciativa busca conter a retenção de estoques e ampliar a disponibilidade do produto no mercado doméstico. Segundo a Barchart, o aumento da oferta interna pode reduzir a necessidade de importações indianas.
Outro ponto de atenção é o posicionamento dos fundos em Nova York. O relatório semanal Commitment of Traders (COT) mostrou que os investidores ampliaram em 28.526 contratos suas posições compradas líquidas em açúcar na semana encerrada em 1º de setembro, alcançando 132.496 contratos, o maior nível em três anos.
Corrêa também chamou atenção para esse movimento e avaliou que as recentes altas, intercaladas por realizações de lucros e novas recuperações dos preços, ainda mostram sustentação no mercado. A Barchart, por sua vez, alerta que uma posição comprada elevada dos fundos pode intensificar eventuais movimentos de baixa caso haja liquidação dessas posições.
Natália Cherubin com informações da Barchart




