Contratos recuaram em Nova York e Londres, pressionados por projeções de maior produção no Brasil e sinais de demanda global mais fraca
Os preços do açúcar fecharam em queda nesta segunda-feira, pressionados pela expectativa de uma safra brasileira robusta e por sinais de ampla oferta global. Segundo o Barchart, o açúcar bruto com vencimento em maio fechou em queda de 0,1 centavo, ou 0,7%, a 13,83 centavos de dólar por libra-peso, depois de atingir o valor mais alto desde 9 de abril, a 14,15 centavos de dólar por libra-peso. O contrato ganhou 4,6% na semana passada. Por sua vez, o contrato mais ativo de açúcar branco caiu 1,9%, para US$ 427,10 a tonelada.
As cotações chegaram a subir no início do pregão, com o açúcar em Nova York atingindo a máxima de duas semanas e o açúcar branco em Londres alcançando o maior nível em três semanas. O movimento ocorreu após a alta da gasolina para o maior patamar em 3,75 anos, fator que tende a elevar os preços do etanol e poderia incentivar usinas a direcionarem mais cana para o biocombustível, reduzindo a oferta de açúcar.
Apesar disso, o mercado perdeu força ao longo do dia. A pressão vem se acumulando nas últimas quatro semanas, período em que o açúcar em Nova York chegou ao menor nível em 5,5 anos no contrato futuro mais próximo, em 17 de abril, diante das expectativas de oferta global abundante e demanda fraca.
Outro sinal de demanda limitada veio do vencimento do contrato maio do açúcar em Londres, em 15 de abril, que registrou entregas de 472,65 mil toneladas para liquidação, o maior volume para um contrato de maio em 14 anos.
No Brasil, a maior produção segue como fator baixista para os preços. A Unica informou, em 27 de março, que a produção acumulada de açúcar no Centro-Sul na safra 2025/26, de outubro até meados de março, subiu 0,7% em relação ao mesmo período anterior, para 40,25 milhões de toneladas. As usinas também ampliaram o percentual de cana destinado à fabricação de açúcar, de 48,08% para 50,61%.
A Conab também projetou a produção brasileira de açúcar em 44,196 milhões de toneladas na safra 2025/26, alta de 0,1% em relação ao ciclo anterior.
A pressão sobre os preços também foi reforçada pela Índia. O secretário de Alimentos do país afirmou que o governo não pretende proibir exportações de açúcar neste ano, reduzindo preocupações de que mais matéria-prima fosse destinada à produção de etanol após a interrupção no fornecimento de petróleo causada pela guerra no Irã. Em fevereiro, o governo indiano aprovou uma cota adicional de 500 mil toneladas de açúcar para exportação na safra 2025/26, além das 1,5 milhão de toneladas aprovadas em novembro.
Projeções menores para o Brasil e superávit global mais enxuto limitam perdas
Apesar do viés negativo, alguns fatores seguem dando sustentação às cotações. O USDA estimou a produção brasileira de açúcar em 42,5 milhões de toneladas na safra 2026/27, queda de 3% em relação ao ciclo anterior, citando maior direcionamento da cana para o etanol.
Além disso, estimativas mais recentes apontam para um superávit global menor. A Covrig Analytics reduziu sua projeção de excedente mundial em 2026/27 para 800 mil toneladas, ante 1,4 milhão de toneladas anteriormente. Já a Czarnikow cortou sua estimativa para 1,1 milhão de toneladas, frente às 3,4 milhões de toneladas projetadas em fevereiro, e também reduziu a previsão de superávit de 2025/26 para 5,8 milhões de toneladas.
O mercado também encontra algum suporte nas preocupações com interrupções de oferta ligadas ao fechamento do Estreito de Hormuz. Segundo a Covrig Analytics, a situação restringiu cerca de 6% do comércio mundial de açúcar, limitando a produção de açúcar refinado.
Na Índia, a Federação Nacional das Fábricas Cooperativas de Açúcar informou que a produção do país na safra 2025/26, de 1º de outubro a 15 de abril, subiu 7,7% em relação ao ano anterior, para 27,48 milhões de toneladas. A Isma projetou a produção indiana em 29,3 milhões de toneladas, alta de 12%, abaixo da estimativa anterior de 30,95 milhões de toneladas.
A entidade também reduziu a previsão de açúcar destinado à produção de etanol na Índia para 3,4 milhões de toneladas, ante 5 milhões de toneladas estimadas em julho, o que pode abrir espaço para aumento das exportações do país, segundo o Barchart.
No cenário global, a Organização Internacional do Açúcar projetou superávit de 1,22 milhão de toneladas em 2025/26, após déficit de 3,46 milhões de toneladas em 2024/25. A entidade atribui o excedente ao aumento da produção na Índia, Tailândia e Paquistão, com produção mundial estimada em 181,3 milhões de toneladas, alta de 3%.
Já o USDA projetou produção global recorde de 189,318 milhões de toneladas em 2025/26, avanço de 4,6%, enquanto o consumo humano mundial deve crescer 1,4%, para também atingir nível recorde de 177,921 milhões de toneladas.

