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Açúcar: preços baixos fazem usinas cancelarem contratos

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Algumas usinas brasileiras cancelaram contratos para entrega de açúcar com operadores de commodities.  Historicamente, as usinas do Brasil produzem mais açúcar no segundo semestre do ano, quando o teor de sacarose aumenta na cana de colheita tardia devido ao tempo mais seco.

No entanto, neste ano, como os preços não estão se recuperando, as empresas tem mantido o foco na produção de etanol. Consequentemente, cancelando contratos de entrega de açúcar.

“Há um surpreendente volume de ´washouts´ – como é conhecida a operação – no centro-sul do Brasil atualmente”, disse Arnaldo Correa, da Archer Consulting, que assessora usinas a respeito dos preços do açúcar.

À Reuters, ele afirmou que alguns de seus clientes contaram sobre seus cancelamentos. Todavia, não quis revelar quais são as unidades.

As usinas só podem recomprar contratos quando as provisões para estes tiverem sido adicionadas aos acordos firmados.

Correa disse que as usinas normalmente pagam uma taxa para cancelar a entrega física do adoçante. Mesmo com as multas, elas acabam lucrando mais com a mudança na utilização dessa cana do açúcar para o etanol, o que justifica os “washouts”, acrescentou.

Uma usina que confirmou cancelamentos foi a Bevap Bioenergia, localizada em Minas Gerais, onde a demanda por etanol tem sido forte nas últimas duas temporadas.

Leandro de Menezes Martignon, diretor comercial da Bevap, disse que a usina deseja elevar seu mix de produção em direção ao etanol. Deste modo, decidiu pelos cancelamentos. O plano é alocar até 75% da cana para a produção do biocombustível, ante 70% atualmente, e deixar apenas 25% para a produção do adoçante.

“Compramos de volta da operadora essa posição em açúcar. O etanol está pagando 200 pontos mais que o açúcar no momento, então vale a pena”, disse ele.

O açúcar na bolsa 

O vencimento de primeiro mês do açúcar em Nova York atingiu nesta quarta-feira uma mínima contratual de 10,82 centavos de dólar por libra-peso.

Martignon acrescentou que, à medida que a temporada se aproxima do final por volta de novembro, os preços do etanol devem avançar ainda mais, possivelmente ampliando sua vantagem sobre o produto.

João Paulo Botelho, analista de açúcar e etanol da corretora e consultoria INTL FCStone, disse que as usinas devem tentar focar o máximo possível em etanol.

“Se elas têm a opção de recomprar suas posições em açúcar, elas farão isso. Há diversos casos”, afirmou Botelho.

Além disso, hoje as usinas estão alocando uma parcela ainda menor de cana para a produção do adoçante. Vale destacar que no ano passado foi registrada uma mínima histórica de 35%. Nesta esteira, o relatório mais recente da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar) apontou que estes números devem se repetir.

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Episódio 23: O etanol de milho pode mudar o futuro das usinas brasileiras?

Episódio 22: Como as tecnologias e a IA impactam as operações agrícolas?

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