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Açúcar reage com alta do real, mas maior produção da Índia limita avanço

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Contratos em NY sobem 0,27% após moeda brasileira atingir máxima em 1,75 ano; posição vendida recorde dos fundos pode ampliar volatilidade

Os preços do açúcar encerraram a quarta-feira com desempenho misto, recuperando-se das perdas iniciais. O contrato março do açúcar bruto em Nova York fechou em alta de 0,27%, fechando a 14,01 centavos de dólar por libra-peso,  enquanto o açúcar branco em Londres recuou 0,02%. O movimento foi sustentado pela valorização do real frente ao dólar, que atingiu o maior nível em 1,75 ano, reduzindo o incentivo às exportações brasileiras e estimulando recompras técnicas no mercado futuro.

A força da moeda brasileira desestimula vendas externas por parte dos produtores do Brasil, principal exportador global, uma vez que diminui a receita em reais obtida com contratos denominados em dólar. O movimento favoreceu o fechamento de posições vendidas (short covering) nos contratos futuros.

Apesar da recuperação ao longo do pregão, os preços chegaram a operar em queda diante do aumento da produção na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. A Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (ISMA) projetou a produção indiana de açúcar na safra 2025/26 em 29,3 milhões de toneladas, alta de 12% na comparação anual, embora abaixo da estimativa anterior de 30,95 milhões de toneladas.

Outro fator de atenção é o elevado posicionamento vendido dos fundos no mercado de Nova York. O relatório semanal Commitment of Traders (COT) indicou que, na semana encerrada em 17 de fevereiro, os fundos ampliaram suas posições líquidas vendidas em 14.381 contratos, atingindo um recorde de 265.324 posições líquidas vendidas — maior nível da série histórica iniciada em 2006. Esse volume expressivo pode intensificar movimentos de recompra caso haja mudança de percepção no mercado.

No Brasil, sinais de menor produção também deram suporte às cotações. Dados divulgados pela Unica indicaram que a produção de açúcar na região Centro-Sul, na segunda quinzena de janeiro, caiu 36% na comparação anual, totalizando apenas 5 mil toneladas. No acumulado da safra 2025/26 até janeiro, entretanto, a produção ainda registra alta de 0,9%, somando 40,24 milhões de toneladas.

Além disso, a proporção de cana destinada à produção de açúcar aumentou para 50,74% na safra 2025/26, ante 48.14% no ciclo 2024/25, indicando maior direcionamento da matéria-prima para o adoçante diante das condições de mercado.

O cenário combina, portanto, vetores de curto prazo favoráveis — como o câmbio e o posicionamento técnico dos fundos — com fundamentos globais ainda pressionados por expectativas de maior oferta internacional.

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