Avanço da monção reduz preocupações com a safra indiana, enquanto alta do petróleo reforça a atratividade da produção de etanol
Os preços internacionais do açúcar encerraram a quarta-feira (23) em queda, pressionados pela melhora das chuvas de monção na Índia, que reduziu parte das preocupações com a produção do segundo maior produtor mundial da commodity. Segundo análise da Barchart, as perdas, no entanto, foram limitadas pela valorização do petróleo, que aumenta a competitividade do etanol e pode levar usinas a direcionarem mais cana para a produção do biocombustível.
Na bolsa de Nova York, o contrato outubro do açúcar bruto fechou cotado a 14,88 centavos de dólar por libra-peso, com queda de 0,94%. Em Londres, o açúcar branco para outubro encerrou o pregão a US$ 464,50 por tonelada, recuo de 0,98%.
De acordo com o Departamento Meteorológico da Índia, o déficit acumulado das chuvas de monção caiu para 19% abaixo da média até 22 de julho, uma melhora significativa em relação aos 42% registrados em 30 de junho. O avanço das precipitações reduz parte das preocupações com possíveis perdas na safra indiana, fator que vinha sustentando a valorização do açúcar nas últimas semanas.
Apesar disso, o mercado encontrou suporte na forte alta do petróleo. O contrato WTI avançou mais de 2% e atingiu o maior nível em seis semanas, elevando a atratividade do etanol. Com preços mais favoráveis para o biocombustível, aumenta a possibilidade de que usinas destinem uma parcela maior da cana à produção de etanol, reduzindo a oferta de açúcar no mercado.
Outro fator monitorado pelos investidores é o posicionamento dos fundos de investimento. Dados do relatório semanal Commitment of Traders (COT) mostram que os fundos ampliaram em 716 contratos suas posições compradas líquidas no açúcar branco negociado na ICE de Londres na semana encerrada em 14 de julho, alcançando um recorde de 58.847 contratos líquidos comprados. Segundo a Barchart, esse elevado volume de posições pode intensificar movimentos de queda quando há realização de lucros.
Mesmo com a correção observada nesta quarta-feira, o mercado ainda acumula forte valorização nas últimas semanas. O açúcar bruto atingiu, em 8 de julho, o maior patamar em aproximadamente dois meses e meio, enquanto o açúcar branco alcançou, em 7 de julho, o maior nível em cerca de dez meses e meio.
O avanço recente das cotações foi impulsionado principalmente pelas preocupações com a monção indiana. O Ministério de Ciências da Terra da Índia continua alertando que a temporada de chuvas de 2026 pode ser a mais fraca dos últimos 11 anos. A monção no país ocorre entre junho e setembro e é determinante para o desenvolvimento da safra de cana-de-açúcar.


