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Tarifas dos EUA podem acelerar busca do Brasil por novos mercados para o etanol, avalia especialista da StoneX

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Impacto imediato sobre as exportações brasileiras tende a ser limitado, mas produção crescente exigirá diversificação dos destinos

As tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros devem ter impacto direto limitado sobre as exportações brasileiras de etanol no curto prazo, mas reforçam a necessidade de o Brasil ampliar sua presença em novos mercados consumidores. A avaliação é de Letícia Corrêa, analista de inteligência de mercado da StoneX, em artigo assinado em conjunto com Marcelo Di Bonifácio Filho, no qual analisa os reflexos das medidas para os mercados de etanol e açúcar.

Segundo a especialista, o cenário reúne dois movimentos que fortalecem a indústria americana de etanol de milho. “A combinação entre o avanço do E15 e a revisão tarifária sob a Seção 301 configura um movimento de proteção à indústria doméstica de etanol de milho”, afirma.

A análise ressalta que, embora produtores norte-americanos tenham utilizado a tarifa brasileira de 18% sobre o etanol importado como justificativa para a medida, os impactos sobre as exportações brasileiras tendem a ser limitados no curto prazo.

Comércio bilateral já vinha mudando

De acordo com Letícia Corrêa, o fluxo comercial de etanol entre Brasil e Estados Unidos já apresentava mudanças importantes antes mesmo da adoção das novas tarifas.

Após registrar superávit de 202 milhões de litros em 2024, o saldo brasileiro recuou para 113 milhões de litros em 2025, queda de 44%, refletindo tanto a retração das exportações brasileiras quanto o avanço das importações de etanol americano.

Segundo a especialista, “o ponto de inflexão relevante ocorreu em agosto de 2025, quando o Brasil elevou a mistura obrigatória de anidro na gasolina de 27% para 30%, consumindo parte relevante dos estoques domésticos do produto”.

Ela explica que, naquele mesmo período, as importações de etanol americano aumentaram significativamente e o movimento se intensificou no início de 2026, antes da safra do Centro-Sul, em um contexto de estoques domésticos abaixo da média histórica.

Entre janeiro e março deste ano, o Brasil importou 248 milhões de litros de etanol americano, maior volume registrado desde 2020. No acumulado do primeiro semestre, as importações somaram 250,8 milhões de litros, enquanto as exportações brasileiras para os Estados Unidos ficaram em 66,4 milhões de litros, resultando em saldo bilateral negativo de aproximadamente 184,4 milhões de litros.

Estoques elevados reduzem necessidade de importações

Apesar das novas tarifas, Letícia Corrêa avalia que o mercado americano já apresenta condições que limitam o espaço para exportações brasileiras.

Segundo a especialista, “os impactos sobre as exportações de etanol aos EUA são limitados, já que o volume vinha em queda desde 2024”.

Ela destaca ainda que os Estados Unidos operam atualmente com estoques elevados de etanol, acima das máximas históricas desde meados de maio, alcançando 24 milhões de barris em 9 de julho, volume 6,3% superior à média dos últimos cinco anos.

Nesse contexto, a analista afirma que “a necessidade de importações americanas, de qualquer destino, está muito baixa, tornando pouco provável a inversão da balança comercial nos próximos meses”.

Brasil precisará diversificar mercados

Na avaliação de Letícia Corrêa, o principal desafio para o Brasil está no médio prazo. “O Brasil precisará encontrar novos destinos para exportação de etanol, visto que a produção segue crescendo em níveis recordes e a demanda interna não vem respondendo na mesma medida, especialmente para o etanol hidratado”, destaca.

Entre os mercados que podem absorver parte dessa produção estão parceiros comerciais já consolidados, como Coreia do Sul, Países Baixos e Filipinas. A especialista observa que, enquanto Coreia do Sul e Filipinas reduziram as compras de etanol brasileiro em 2026, os Países Baixos praticamente dobraram o volume importado no período.

O Vietnã também surge como um mercado com potencial de crescimento. Segundo a análise, o país eliminou a comercialização de gasolina pura e passou a adotar misturas obrigatórias entre 5% e 10% de etanol. Além disso, projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam importações de cerca de 490 milhões de litros em 2026, volume superior à capacidade doméstica de produção.

Tarifas também podem afetar o açúcar

Além do etanol, Letícia Corrêa avalia que as novas tarifas podem provocar reflexos no mercado brasileiro de açúcar.

Segundo a especialista, embora os embarques destinados aos Estados Unidos representem pequena parcela das exportações totais brasileiras, o Brasil possui participação relevante nas cotas americanas de importação de açúcar bruto, com 156 mil toneladas previstas para o exercício de 2026.

Na avaliação da analista, “as tarifas adicionais aplicadas pelo governo americano tendem a encarecer o açúcar internalizado pelos americanos, ou até mesmo desestimular o cumprimento da cota brasileira”.

Caso parte desse volume deixe de ser embarcada para os Estados Unidos, a tendência é que o açúcar brasileiro seja direcionado para outros mercados, ampliando a oferta global. Sobre esse cenário, Letícia Corrêa afirma que “em um mercado sobreofertado no curto prazo, em termos de trade flow, essa notícia é relativamente baixista, mas, no médio prazo, imaginando um ciclo global 2026/27 deficitário, a demanda por importação pode ser mais ativa”.

Ela acrescenta que uma eventual redução da safra americana de açúcar, em razão das condições climáticas nas áreas produtoras de beterraba, poderá estimular novamente as importações do país.

Para a especialista, “o andamento das importações americanas nos próximos meses irá determinar os impactos práticos das tarifas no mercado doméstico”, tanto para o açúcar quanto para o etanol.

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