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A agropecuária brasileira passa por um momento tão bom que está havendo uma mudança de tendência no setor de emprego dessa atividade.

Em queda nos últimos anos, a população ocupada do setor subiu para 18,9 milhões no terceiro trimestre deste ano, uma alta de 10,24% em relação a igual período de 2020.

Esse número de trabalhadores não só é uma recomposição das vagas perdidas na pandemia, como é o maior dos últimos seis anos, quando considerado o terceiro trimestre de cada ano.

Para Nicole Rennó Castro, pesquisadora do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), se persistir esse cenário, haverá uma continuidade na geração de empregos e uma reversão dessa tendência de queda que o setor vinha apresentando.

A recomposição está ocorrendo, no entanto, em maior percentual no quadro informal e com trabalhadores sem escolarização. O rendimento também é menor.

Rennó explica que, na verdade, esses trabalhadores haviam sido demitidos em maior número e que, agora, estão voltando. Essa mudança na composição de trabalho gera, inclusive, um valor médio menor dos rendimentos, uma vez que são incorporados salários menores no setor.

Os dados do Cepea, com base na Pnad Contínua e na Rais (Relação Anual de Informações Sociais), indicam que, no período de julho a setembro, a agropecuária tinha 18,9 milhões de postos de trabalho, 5,7 milhões ocupados por mulheres.

Estas aumentam sua participação, e registraram crescimento de 13,3% no terceiro trimestre, em relação a igual período de 2020. Os homens tiveram aumento de 8,9% na população ocupada no período.

O crescimento dos postos de trabalho dos sem carteira foi de 17,9%, e o dos sem instrução, de 31,9%. Com isso, o rendimento médio dos empregados recuou 7,2% no período. Já o dos que trabalham por conta própria subiu 5,82%.

A retomada dos empregos atingiu os diversos setores de forma bastante diferente. Fertilizantes e defensivos agrícolas, dois insumos importantes nessa expansão atual da agricultura brasileira, tinham no terceiro trimestre uma população ocupada 36,3% maior do que a de igual período de 2020.

Já o de ração, devido aos elevados custos para essa indústria, o que reflete também na utilização desse produto no campo, perdeu 11% da população ocupada. Os setores de proteínas, principalmente o de leite, estão usando menos ração.

No setor da agroindústria, a de biodiesel foi bastante prejudicada neste ano. A redução da mistura de biodiesel ao diesel para 10% pelo governo —deveria estar em 13%— fez o setor dispensar 38% da mão de obra, conforme os dados apurados pelo Cepea no terceiro trimestre, em relação a igual período do ano passado.

Ainda na agroindústria, o setor de açúcar, além de registrar seca nas lavouras de cana perdeu espaço para a produção de etanol. Com isso, houve redução de 17% na população ocupada.

Já a indústria de café, mesmo com a evolução dos preços da matéria-prima, aumentou em 57% a mão de obra no período analisado. Na agricultura, cereais, soja e produtos florestais, produtos que estão com bom desempenho no setor externo, tiveram forte evolução no emprego.

Na pecuária, enquanto o setor de bovino repôs vagas, o de suinocultura e o de avicultura reduziram o quadro de trabalhadores. A aquicultura e a pesca, que vêm registrando expansão nos últimos anos, contrataram 9% a mais no terceiro trimestre, em relação ao mesmo período de 2020.

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